Greve em Hollywood: acusação de fake news aumenta a tensão

Patrões partem para o ataque ao dizer que o sindicato dos operários 'espalha informações falsas sobre as negociações'

Publicado em 23/09/2021 18:24
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A tensão só aumenta em Hollywood acerca da possibilidade de greve dos operários da indústria do entretenimento. Nesta quinta-feira (23), a associação que representa os estúdios e produtoras, os patrões na mesa de negociação, acusou o sindicato dos trabalhadores de “espalhar informações falsas” com o intuito de causar um tumulto.

A AMPTP (Aliança de Produções Televisivas e Cinematográficas) representa os principais e maiores estúdios e produtoras dos Estados Unidos. A entidade divulgou uma nota como resposta a uma movimentação do Iatse (Aliança Internacional de Funcionários de Palcos Teatrais), o sindicato dos operários, de votar a favor de uma paralisação.

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Troca de farpas

Na terça, o presidente internacional do Iatse, Matt Loeb, enviou uma carta a filiados do sindicato traçando algumas diretrizes e informando que as negociações por um novo contrato travaram.

A AMPTP informou o Iatse que eles não vão mudar a posição que se encontram [nas negociações]”, disse o comunicado do sindicato. “Esse fracasso em encontrar um meio termo só pode ser interpretado de um único jeito.

Eles simplesmente não vão atender as reivindicações mais básicas que estamos pedindo. O resultado disso é que nosso próximo movimento é pedir autorização para votarmos pela greve. Assim, podemos mostrar nosso compromisso em concretizar mudanças que há muito tempo são esperadas”, concluiu a carta.

O Iatse reúne 150 mil trabalhadores das áreas mais diversas da indústria do entretenimento: operador de câmera, figurinista, maquiador, cabelereiro, carpinteiro, entre outros tantos. São aqueles anônimos que aparecem nos créditos, que a maioria do público “pula” para assistir ao próximo episódio da série favorita.

A resposta

Em um tom acusatório e ameaçador, os patrões responderam. “É lamentável que o Iatse optou por espalhar informações falsas sobre as negociações“, diz a nota dos patrões. “Esse tipo de abordagem é desnecessária. Isso só acirra a polarização e eleva a tensão em um momento no qual o foco deveria ser em encontrar um jeito de impedir uma greve.

Uma paralisação seria devastadora [para Hollwyood]”, continuou. “E, inevitavelmente, iria resultar em milhares de filiados do Iatse desempregados e sem renda, o que provocaria atraso no pagamento de plano de saúde.

Nós estamos comprometidos em chegar a um acordo que agrade ambas as partes. Assim, a indústria [do entretenimento] continuaria em frente, firme e forte“, finalizou.

Entenda a disputa

O contrato mais recente entre a AMPTP e o Iatse terminou no dia 31 de julho deste ano. Desde então, conversas foram feitas para chegar a um novo acordo. No último dia 10, venceu a data limite estipulada para assinar um novo trato. Os trabalhadores estão orientados a seguir batendo o cartão até uma segunda ordem.

As demandas do sindicato são bem pontuais como aumento de salário, reajustes de benefícios (plano de saúde, por exemplo) e oferecer maior tempo de descanso aos operários (“não nos tratem como máquinas“, diz um documento do Iatse). O maior entrave de todos é em relação com os streamings.

Cada vez mais, os estúdios (como Warner, Universal) criam as próprias plataformas para lucrar com a mina de ouro que é o streaming. O domínio dos streamings no Emmy de 2021 só reforça o clamor dos operários. O sindicato quer um retorno digno dessa fatia que as produtoras abocanham no mercado. Eis o que diz o Iatse sobre isso:

Nós ajudamos a criar a Nova Mídia [os streamings]. E nós merecemos ser recompensados por isso. E não se trata apenas das empresas estritamente do streaming, que estão entre as mais valiosas corporações do planeta, mas de redes e canais de TV, tal qual os estúdios, onde nossos filiados trabalharam duro para facilitar que todas elas se tornassem bem-sucedidas.

Filiados da Iatse criaram uma página no Instagram para que os operários pudessem, anonimamente, compartilhar com o público sobre as dificuldade de se trabalhar em Hollywood. São relatos de um lado obscuro que as câmeras não mostram, como abuso moral e burnout, que chegam a levar a ideações suicidas.


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