Operários de Hollywood trabalham 14 horas por dia, diz sindicato

Funcionários de séries relatam expediente fora do padrão durante gravações, sem pausa até para ir ao banheiro

Publicado em 18/09/2021 11:06
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O Iatse (Aliança Internacional de Funcionários de Palcos Teatrais), sindicato que agrega profissionais de Hollywood, recebeu mais de 50 denúncias sobre jornadas de trabalho de 14 horas ou mais por dia. O fim desse tipo de expediente extremamente longo é um item chave na negociação dos operários com os estúdios e produtoras para evitar uma greve.

Ninguém deve aceitar ou defender 14 horas de trabalho como um padrão em qualquer que seja a indústria“, disse em nota o Iatse. Essas reclamações foram feitas e protocoladas entre janeiro e julho deste ano.

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Em um panfleto entregue a filiados, a diretoria do sindicato tratou especificamente desse problema: “Longas e irregulares horas de trabalho, sem pausas e descanso adequados, são perigosas para os trabalhadores“. A associação ressaltou que “nenhuma indústria exige dos funcionários trabalho que não dê descanso, pausa para refeição ou ir ao banheiro.”

Neste momento, 13 divisões do Iatse, todas da Costa Oeste americana e que representam 60 mil dos 150 mil operários filiados, estão preparadas para decretar greve. O que afetaria sensivelmente a produção de séries, que está a todo vapor na tentativa de voltar à normalidade em um cenário quase pós-pandêmico.

Operários nos bastidores da 6ª temporada de Lucifer (Reprodução)

Entenda a disputa

O Iatse está em confronto com a AMPTP (Aliança de Produções Televisivas e Cinematográficas), que nada mais é do que a representante dos principais e maiores estúdios e produtoras dos Estados Unidos.

O contrato mais recente entre as partes terminou no dia 31 de julho deste ano. Desde então, conversas foram feitas para chegar a um novo acordo. No último dia 10, venceu a data limite estipulada para assinar um novo trato. Os trabalhadores estão orientados a seguir batendo o cartão até uma segunda ordem.

As demandas do sindicato são bem pontuais como aumento de salário, reajustes de benefícios (plano de saúde, por exemplo) e oferecer maior tempo de descanso aos operários (“não nos tratem como máquinas“, diz um documento do Iatse). O maior entrave de todos é em relação com os streamings.

Cada vez mais, os estúdios (como Warner, Universal) criam as próprias plataformas para lucrar com a mina de ouro que é o streaming. O sindicato quer um retorno digno dessa fatia que as produtoras abocanham no mercado. Eis o que diz o Iatse sobre isso:

Nós ajudamos a criar a Nova Mídia [os streamings]. E nós merecemos ser recompensados por isso. E não se trata apenas das empresas estritamente do streaming, que estão entre as mais valiosas corporações do planeta, mas de redes e canais de TV, tal qual os estúdios, onde nossos filiados trabalharam duro para facilitar que todas elas se tornassem bem-sucedidas.

Filiados da Iatse criaram uma página no Instagram para que os operários pudessem, anonimamente, compartilhar com o público sobre as dificuldade de se trabalhar em Hollywood. São relatos de um lado obscuro que as câmeras não mostram, como abuso moral e burnout, que chegam a levar a ideações suicidas.


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