Andrei Toribio (Fonte: Divulgação)
Andrei Toribio (Fonte: Divulgação)

O especialista em estudos da memória e da mente humana, Andrei Toribio, explica do ponto de vista da neurociência o que acontece na nossa cabeça no intervalo entre temporadas.

Só quem é fã sabe o tamanho da ansiedade que existe naquele tempo que separa a data de estreia de uma série e a estreia de uma nova temporada. Depois de assistir todos os episódios e maratonar a sua série favorita, eis que vem a angústia de ter de esperar até mais de um ano por novos episódios ou continuações de filmes. E enfim, quando chega a nova temporada, acabamos por esquecer boa parte do que se passou. Por que isto acontece?

O especialista em estudos da memória e da mente humana, Andrei Toribio, explica do ponto de vista da neurociência o que acontece na nossa cabeça no intervalo entre temporadas. “A nossa memória é totalmente visual, associativa e emocional. Então se a série ou filme, composto por exemplo de uma trilogia, não tinha no decorrer da sua narrativa nada que fosse impactante, a chance de esquecermos do que se passou é grande. E por isso, quando lança a temporada nova ou filme novo, muitas vezes precisamos recapitular o anterior. Se você chega no último capítulo daquela temporada, onde acontece um casamento ou pedido de casamento, uma morte de um dos principais personagens ou uma grande descoberta, que provoque grande sensação ou emoção, a tendência é que esse sentimento e essa lembrança se mantenha até a chegada da nova temporada”, ressalta.

Segredos da mente humana

Segundo Toribio, a arquitetura da mente humana trabalha a partir do trauma. Por isso, a mente grava com mais força acontecimentos que geram fortes emoções, para que não sejam esquecidos com facilidade. Logo, a mente é impactada tanto por fortes emoções positivas como se apaixonar ou conhecer um ídolo, como negativas, tais quais morte ou perda. “A nossa mente funciona assim, guardando somente coisas que causam grande impacto emocional. Por isso existem filmes, séries e novelas que até hoje lembramos de seus personagens e dos acontecimentos.”

O especialista também mostra que este fenômeno é facilmente observável na nossa vida cotidiana. “Se a gente comparar com a nossa vida normal, provavelmente você não lembra o que comeu há 30 dias atrás, ou o que comeu mês passado. Contudo, certamente se lembraria se algo marcante como almoçar com a Anitta ou encontrar o Neymar tivesse acontecido. Certamente iria lembrar de como estava vestido, da refeição que tiveram, de onde estiveram e talvez até do perfume da Anitta (risos). Então, tudo depende da emoção que você vive. Quanto mais forte a emoção mais forte e clara é a recordação.”