Queen Sugar: melhor série indisponível no Brasil exalta a consciência negra

Drama do canal da Oprah Winfrey retrata como ninguém temas delicados e necessários

Publicado em 20/11/2021 00:30
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Nenhuma atração televisiva exalta a consciência negra igual a Queen Sugar. A melhor série indisponível no Brasil aborda cirurgicamente temas essenciais como reparação de terras, racismo estrutural, impactos da escravidão, ativismo, violência policial e muito mais. São relatos do ponto de vista americano, mas servem de alerta e lição a todo o mundo, pois há paralelos possíveis de serem feitos.

A premissa de Queen Sugar é interessante por si só. Ambientada na zona rural do Estado de Louisiana, a narrativa acompanha três irmãos que lidam com a morte do pai, um fazendeiro dono de uma plantação de cana de açúcar em um terreno de 323 hectares. Cada uma dos filhos tem motivações diferentes e precisam se unir para decidir o destino da herança da família.

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Aquela terra está inserida em uma região de passado perverso, na qual houve massacre contra o povo negro no final do século 19, uma matança escondida nos livros de história e que Queen Sugar ajudou a inserir no debate social.

Continuar com a terra é mais do que seguir tocando um negócio. São poucos os fazendeiros negros na área, todos sob assédio e ataques dos latifundiários brancos. Os homens poderosos, de maneira legal ou à margem da lei, tentam se apoderar de todos os terrenos possíveis, extirpando os negros donos de terra.

Nesse ponto, Queen Sugar se dedica a mostrar a crueldade de gente branca podre de rica e a resistência necessária do movimento negro da zona rual em ir além de manter o ganha-pão, mas buscar reparações históricas. Porém, a máquina governamental não favorece a minoria oprimida.

Dawn-Lyen Gardner abraçada com Kofi Siriboe em Queen Sugar (Divulgação/OWN)

Mulher na linha de frente

Dos três irmãos, Charley Bordelon (Dawn-Lyen Gardner) assume a administração da fazenda. A jornalista Nova (Rutina Wesley) mantém o foco no trabalho de ativista, jogando luz ao descaso da polícia e da política contra a população negra. E Ralph Angel (Kofi Siriboe), o caçula, mira uma segunda chance difícil de conseguir, devido ao fato de ser um ex-presidiário.

Charley tem uma jornada interessante. Mulher de um jogador de basquete profissional, por vezes ela era tratada como superficial, apenas uma companheira de um homem rico. Ao pegar as rédeas da fazenda, ela vai quebrar preconceitos, por ser mulher e negra. Charley bate de frente contra latifundiários brancos graúdos em um mecanismo de negócios que prejudica o pequeno agricultor. 

Ela também lidera uma coalizão de fazendeiros negros em busca de interesses em comum. De subcelebridade, Charley passa até a flertar com uma carreira política representativa.

A mais espiritual do trio, Nova transita em um ambiente único. Ela mostra-se fortemente conectada com as religiões afro. E trava uma luta permanente para manter viva a memória dos antepassados. Intrépida, ela denuncia a violência policial e paga o preço por isso, ao ser alvo de ataques e perseguições de homens da lei usando farda.

Seja qual for o tema, Queen Sugar sempre incita o telespectador a ativar a consciência. Nada é jogado na tela por acaso. Existe uma profundidade, provocada para estimular uma reflexão verdadeira e produtiva. Cada episódio ensina algo e leva o telespectador a enxergar a realidade por uma nova ótica.

Criada pela cineasta Ava DuVernay (do filme Selma), Queen Sugar é exibida nos Estados Unidos pelo canal da Oprah Winfrey, o OWN (o mesmo de Greenleaf). A esperança da série chegar no Brasil é o streaming HBO Max. Queen Sugar é uma produção da Warner Bros. e o OWN está sob o guarda-chuva do Grupo Discovery. Como os dois conglomerados vão se fundir, eis aí uma oportunidade.

Queen Sugar estreou em 2016 e atualmente está na sexta temporada. A sétima leva, programada para 2022, será a última.


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