Página no Instagram expõe lado sombrio do trabalho operário em Hollywood

Conheça a rotina extenuante das pessoas que dão duro nos bastidores para fazer a sua série favorita

Publicado em 12/09/2021 11:47
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A página Iatse Stories no Instagram revela fatos desconhecidos do público que acompanha séries e filmes hollywoodianos. Operários das mais diversas profissões, de técnico de som a assistente de produção, compartilham relatos obscuros do trabalho na indústria de entretenimento americana. São argumentos que servem para justificar uma iminente greve.

Há um impasse nesse instante entre o sindicato Iatse (Aliança Internacional de Funcionários de Palcos Teatrais) e a AMPTP (Aliança de Produções Televisivas e Cinematográficas), que nada mais é do que a representante dos principais e maiores estúdios e produtoras dos Estados Unidos.

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O contrato mais recente entre as partes terminou no dia 31 de julho deste ano. Desde então, conversas foram feitas para chegar a um novo acordo. Na última sexta-feira (10), venceu a data limite estipulada para assinar um novo trato. Os trabalhadores vão continuar na ativa, até segunda ordem. Cruzar os braços é uma possibilidade cada vez mais plausível.

Depoimentos cortantes

Com mais de 800 publicações e 57 mil seguidores, a Iatse Stories foi criada com o objetivo de expor ao público o que se passa nos bastidores de Hollywood. A descrição do espaço virtual diz que ali “trabalhadores do cinema/entretenimento podem compartilhar histórias que vivenciaram” durante as gravações de alguma atração. 

As reclamações são anônimas e servem para criar uma rede de solidariedade entre os operários. Uma pessoa chegou a postar que “viver em uma pandemia mortal [a da Covid-19] é menos estressante do que trabalhar na televisão, devido a um expediente de mais de 14 horas, pouco tempo livre para a família e amigos, além de sofrer pressão dos patrões.

Os depoimentos ajudam a entender que os problemas não são isolados, fazem parte de um sistema. Um coordenador do departamento arte de uma série de streaming escreveu que se sentia culpado por “não conseguir realizar o trabalho em 10, 12 horas de um dia“. Ele confessou que ouvir histórias parecidas “aliviou a alma, por mais estranho que pareça“, pois se sentia inútil ao pensar que era o único que vivia na insegurança e trabalhando fora do expediente, sem ganhar hora extra.

Outro trabalhador foi extremamente franco em uma postagem cortante: “Eu trabalhei de 80 a 100 horas semanais como coordenador de roteiro e acabei com: ansiedade, coração acelerado, depressão, dependência alcoólica e de remédios contra a insônia, visão turva, ideações suicidas burn out… E tudo isso com um salário de US$ 18 (R$ 94). Para uma das redes de TV mais ricas do mundo.

O que está em jogo

O Iatse representa diversos profissionais que trabalham nos bastidores do Hollywood, como figurinistas, operadores de câmera, iluminadores, marceneiros, e por aí vai.

O sindicato pede melhorias como aumento de salário (repasse de lucros dos streamings), reajustes de benefícios (plano de saúde, por exemplo) e oferecer maior tempo de descanso aos operários (“não nos tratem como máquinas“, diz um documento da organização). Tem equipes de produção que sequer permitem horário de refeição, por exemplo.

Na atual circunstância, o sindicato tem a seu favor nas negociações a ânsia de Hollywood em voltar a produzir séries (e filmes), uma atração atrás do outra, durante a recuperação da indústria no que se espera seja a reta final da pandemia de Covid-19. Ou seja, uma paralisação seria trágica para o sistema. É uma situação como nunca antes vista em 128 anos do Iatse.


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