Greve em Hollywood não afetará séries da HBO; saiba o motivo

Por outro lado, produções da Netflix correm o risco de serem suspensas com uma paralisação

Publicado em 24/09/2021 15:55
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A indústria de entretenimento americana lida com a problemática de uma possível greve dos operários de Hollywood (operadores de câmera, figurinistas, maquiadores, carpinteiros, etc). No entanto, caso cruzem os braços, nem todas as gravações serão afetadas. Produções da HBO, por exemplo, vão escapar da paralisação caso ela venha a ocorrer.

O site Deadline trouxe nesta sexta-feira (24) um comunicado do sindicato dos operários dos Estados Unidos e Canadá, o Iatse (Aliança Internacional de Funcionários de Palcos Teatrais), explicando aos filiados que trabalhadores de atrações da canais pagos da TV americana deverão continuar batendo o cartão normalmente.

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Se você trabalha para a HBO, Showtime, Starz, Cinemax, BET ou qualquer outra companhia que tenha contrato ainda dentro da validade, você tem de continuar trabalhando“, disse a nota, dando um recado para acalmar esses e outros associados. “Você não será um fura-greve.

Isso se dá devido ao acordo do sindicato com os canais por assinatura expirar apenas em 31 de dezembro do ano que vem.

Já no caso da Netflix e as demais plataformas de streaming, assim como as redes da TV aberta americana, não tem saída. As atrações serão suspensas assim que os operários cruzarem os braços.

Entenda o caso

No momento, a interação está bem tensa entre o Iatse e a AMPTP (Aliança de Produções Televisivas e Cinematográficas), que representa os principais e maiores estúdios e produtoras dos Estados Unidos.

A AMPTP, em nota divulgada nesta semana, acusou o sindicato dos trabalhadores de “espalhar informações falsas” com o intuito de causar um tumulto nas negociações de um novo contrato.

O contrato mais recente entre a AMPTP e o Iatse terminou no dia 31 de julho deste ano. Desde então, conversas foram feitas para chegar a um novo acordo. No último dia 10, venceu a data limite estipulada para assinar um novo trato. Os trabalhadores estão orientados a seguir batendo o cartão até uma segunda ordem.

As demandas do sindicato são bem pontuais como aumento de salário, reajustes de benefícios (plano de saúde, por exemplo) e oferecer maior tempo de descanso aos operários (“não nos tratem como máquinas“, diz um documento do Iatse). O maior entrave de todos é em relação com os streamings.

Cada vez mais, os estúdios (como Warner, Universal) criam as próprias plataformas para lucrar com a mina de ouro que é o streaming. O domínio dos streamings no Emmy de 2021 só reforça o clamor dos operários. O sindicato quer um retorno digno dessa fatia que as produtoras abocanham no mercado. Eis o que diz o Iatse sobre isso:

Nós ajudamos a criar a Nova Mídia [os streamings]. E nós merecemos ser recompensados por isso. E não se trata apenas das empresas estritamente do streaming, que estão entre as mais valiosas corporações do planeta, mas de redes e canais de TV, tal qual os estúdios, onde nossos filiados trabalharam duro para facilitar que todas elas se tornassem bem-sucedidas.

Filiados da Iatse criaram uma página no Instagram para que os operários pudessem, anonimamente, compartilhar com o público sobre as dificuldade de se trabalhar em Hollywood. São relatos de um lado obscuro que as câmeras não mostram, como abuso moral e burnout, que chegam a levar a ideações suicidas.


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