Como Revenge conseguiu ser ruim, viciante e boa ao mesmo tempo

Sucesso inconteste de público, o drama novelesco simboliza com perfeição o que é guilty pleasure na cultura pop

Publicado em 21/09/2021 04:01
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Lançada há dez anos, Revenge (2011-2015) é a série que ilustra com exatidão o verbete guilty pleasure no almanaque da cultura pop, aquela série ruim que você assiste assiduamente, mas tem vergonha de contar para os amigos porque não é uma atração da HBO ou com lendas da atuação. Mesmo assim, a trama tinha tantos absurdos novelescos que se tornou boa e viciante.

Em 21 de setembro de 2011, Revenge estreou na ABC como uma aposta para agradar ao público feminino, que formava a base de telespectadores da rede americana. Tudo o que é clichê foi jogado naquele caldeirão: barracos, triângulo amoroso, gente podre de rica, mansões deslumbrantes, cenários paradisíacos, e por aí vai.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Faltava um bom roteiro e atuações críveis, no mínimo, meros detalhes dentro da perspectiva que importava, que era saber os bafos daquela gente milionária metida a besta com a vida feita morando em um balneário chiquérrimo.

Revenge, a máquina da vingança

O enredo de Revenge era simplesmente apetitoso. A jovem Amanda Clarke (Emily VanCamp), conhecida como Emily Thorne, voltou para os Hamptons, um vilarejo de luxo localizado no Estado de Nova York (EUA). Na infância, ela passou verões ali em uma casa de praia, mas o retorno após uma ausência de 17 anos nada tinha de nostálgico. A loira desejava vingar a morte do pai.

Para tanto, a socialite se enturmou entre os ricaços com muita pompa. A fachada era de uma moça sofisticada e afável. Porém, as intenções macabras estavam atrás da máscara. O alvo da ex-presidiária era a família Grayson, cuja matriarca, Victoria (Madeleine Stowe), escondia uma culpa pelo o que aconteceu com o pai de Amanda/Emily.

Como se Victoria fosse a mestre a ser vencida em um game, Amanda/Emily armava ciladas, humilhava e machucava quem cruzasse o caminho que a levava até a vilã caricata. Claro que, da boca para fora, a bela loira só exalava bom gosto e um charme inigualável. O verdadeiro eu era guardado em uma caixinha.

Emily VanCamp com Madeleine Stowe em Revenge (Divulgação/ABC)

Azedume de Emily VanCamp

Pela aparência, até que Revenge foi bem na escalação de Emily VanCamp, que até então tinha aparecido em séries como Everwood (2002-2006) e Brothers & Sisters (2006-2011). A atriz brilhava no vídeo, mas estava a galáxias de distância de ser uma Meryl Streep da vida. Dentro do contexto, dava para o gasto.

As caras e bocas de Emily, o azedume da protagonista, eram fáceis de deixar passar. O elenco não era lá todo gabaritado. Quem se salvou ali foi Madeline Stowe, que emplacou uma incrível indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz dramática, em 2012, feito considerado como uma vitória. 

Revenge era presença constantes em premiações nas quais o que importava era o voto do povo, tipo People’s Choice Awards, um atestado sobre o quanto a série desfrutava da aprovação dos telespectadores.

Os números de audiência também serviam como prova do sucesso (e do vício) de Revenge. Cada uma das três primeiras temporadas teve média em torno dos 8 milhões de telespectadores, nem abaixo nem acima disso. 

Longe de ser um número extraordinário, aquilo era indício de que um público fiel assistia episódio após episódio, sem largar a trama. Na quarta e última temporada, a média caiu para os 6 milhões de telespectadores.

No Brasil, a série foi vendida ao público como uma novela no formato de série, seja no Sony Channel ou na Globo (veja a vinheta de chamada, acima). A estreia na TV aberta foi interessante, programada para ir ao ar aos domingos, logo após o Fantástico. Só que a emissora carioca deu uma de SBT e tirou a produção do horário habitual. A última temporada foi exibida na madrugada.

Atualmente, Revenge não está presente em nenhum das dezenas de streamings existentes no Brasil (já passou pela Netflix e Globoplay). Uma provável casa para o drama seria a plataforma Star+, da Disney, pois a atração faz parte do grupo dono do Mickey Mouse e dos Simpsons.


Siga o Observatório de Séries nas redes sociais:

Facebook: ObservatorioSeries

Twitter: @obsdeseries

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio