Falta de carisma e política inútil; saiba o que deu errado em Y: The Last Man

Drama disponível no Star+ foi cancelado antes mesmo do fim da primeira temporada

Publicado em 19/10/2021 08:00
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Projeto em produção desde 2018, o drama apocalíptico Y: The Last Man foi cancelado três semanas antes do final da primeira temporada. É preciso cometer muitos erros para receber esse ultimato abrupto. E de fato foi assim. A história se perdeu em um jogo político polarizante e inútil, guiada por um protagonista com zero carisma.

Y: The Last Man é um ponto totalmente fora da curva. Cancelamentos repentinos desse tipo são coisas do passado. Por mais ruim que seja uma atração, um canal, uma emissora ou streaming espera ao menos a primeira temporada chegar ao fim para depois pular do barco. Mas no caso, o término foi decretado após a exibição de sete episódios.

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Com base em uma das HQs mais aclamadas da história, Y: The Last Man acompanha os passos de Yorick Brown (Ben Schnetzer) e do macaco-prego Amp. Ele e o animalzinho são os únicos machos que sobreviveram após a morte súbita de todos os seres humanos e mamíferos da Terra que tinham o cromossomo Y, característico do sexo masculino.

No Brasil, a série é atração do streaming Star+. O oitavo episódio entrou na plataforma na última segunda-feira (18) e os últimos dois chegam nas semanas seguintes, completando dez. Os produtores do drama vão tentar achar uma nova vitrine (canal pago/streaming) para continuar a narrativa.

O que deu errado em Y: The Last Man

The Walking Dead, rotulado como um drama zumbi e apocalíptico, é na essência muito mais do que isso. Ali é contado um enredo rico de personagens cativantes, que evoluem episódio após episódio. Y: The Last Man pecou justamente nisso, na fundação da história, por ter um protagonista incrivelmente sem carisma.

Yorick é mimado, irritante e perdido. Vê-lo em ação dá agonia, pois ele toma as piores atitudes possíveis, uma atrás da outra. Como isso acontece em todos os capítulos, cansa acompanhar a estupidez do personagem principal. A ruindade do ator Ben Schnetzer só piora o conjunto da obra.

Potencial solução para explicar o que aconteceu e fonte da preservação humana, Yorick tem outras preocupações, como cuidar do bicho de estimação e ir atrás da namorada que, veja só, não aceitou o pedido de casamento dele. O mundo desmoronou, a fome e o caos imperam, porém o importante é ir atrás de quem te deu um fora.

Diane Lane vive a presidente dos EUA em Y: The Last Man

Prioridades

Essa falta de prioridades se reflete no mundo político, outro núcleo crucial de Y: The Last Man. Recapitulando: todos os homens morreram, como o presidente dos Estados Unidos. Se foi também boa parte da linha sucessória. Assim, quem assume a direção do país?

O cargo caiu no colo de Jennifer Brown (Diane Lane), deputada federal e mãe de Yorick. Ela precisa tomar controle da situação grave. A população está revoltada, praticando diversos saques nas ruas, há escassez de alimentos, falta água e energia elétrica.

Esse é um cenário catastrófico que clama pela união de todas em busca de soluções, deixando as diferenças de lado. Entretanto Y: The Last Man parte em outra direção. O que prevalece são disputas políticas típicas do século 21, discussões vazias e improdutivas em meio a uma crise humanitária sem precedentes.

Kimberly (Amber Tamblyn) dá o tom político na série

Quem assume a liderança da polarização política é Kimberly Cunningham (Amber Tamblyn), filha do ex-presidente dos EUA. Autora famosa de viés conservador, defensora do privilégio masculino, ela quer tirar do poder “as esquerdistas” e se esforça nisso, montando uma ala para depor Jennifer, feroz rival do pai de Kimberly. 

Ao invés de mostrar mulheres unidas em prol da humanidade, tomando atitudes incríveis dignas de heroínas, o destaque é dado à desunião e rixas do passado.

Y: The Last Man investe muito tempo nessa briga chata da direita versus a esquerda, ainda mais levando em consideração a crise descomunal em vigor na trama. Há uma realidade cruel mais importante para se preocupar. 

Em conversa com fãs no Twitter, após revelar o cancelamento da série, a criador Eliza Clark disse que os “três últimos episódios são épicos“. Se uma série demora sete capítulos para atingir o “épico“, algo está errado.


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