Dopesick expõe perversidade de indústria farmacêutica e a iguala ao tráfico

Atração do Star+ conta a história real de como o remédio OxyContin provocou uma epidemia

Publicado em 12/11/2021 08:00
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Analgésico viciante e aprovado por órgãos reguladores, o OxyContin assolou os Estados Unidos, uma epidemia que afetou milhões de pessoas, matou outras tantas e provocou um caos ao aumentar a criminalidade. A minissérie Dopesick chega para expor a indústria farmacêutica à frente desse bilionário negócio perverso. Sem meias palavras, o drama iguala o esquema de produção e comércio do fármaco com o tráfico de drogas.

Retrato de uma história real, Dopesick estreia nesta sexta-feira (12), no Brasil, no streaming Star+. São oito episódios no total, lançados semanalmente. A inspiração da atração é o livro best-seller Dopesick: Dealers, Doctors, and the Drug Company That Addicted America (Dopesick: Traficantes, Médicos e a Empresa Farmacêutica que Viciou a América, em tradução livre), escrito pela jornalista Beth Macy.

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Conheça a minissérie Dopesick

O remédio OxyContin, colocado à venda em 1996, é o protagonista do drama. A pílula foi desenvolvida pela empresa Purdue Pharma, uma gigante do ramo medicinal. O objetivo por trás do novo produto era acabar com as dores da população americana (e mundial) usando o psicoativo opioide, assegurando com base em estudos e pesquisas que a possibilidade de alguém se viciar com a droga era “menos de um 1%.”

A trama, então, apresenta diversas histórias acerca do OxyContin. Aliás, esse modelo de narrativa é o tropeço de Dopesick. Pois é tanta coisa para acompanhar que aquelas jornadas de personagens mais interessantes se perdem ao lado das enfraquecidas. Há uma constante viagem no tempo e um marcador na tela avisa ao telespectador o ano de uma cena específica.

Michael Keaton é o médico Samuel Finnix em Dopesick

A Purdue Pharma é parte crucial de Dopesick. Comandada pela família Sackler, um bando de pessoas podres que se escondiam atrás de filantropia, a empresa era bem-sucedida e lucrativa. Queriam mais. Assim, surgiu a ideia do OxyContin. Todos ali sabiam dos riscos do medicamento, do potencial viciante. Propinas e adulterações de dados faziam parte da rotina da fabricante de remédios para burlar a lei e legitimar o analgésico.

Depois vem os representantes da Purdue Pharma, alocados em regiões industriais dos Estados Unidos, de olho nos operários braçais. Os vendedores ofereciam OxyContin batendo na tecla de que “menos de um 1%” dos usuários ficariam viciados. Como tática, entregavam de graça frascos do medicamento aos médicos locais, igual traficantes fazem com entorpecentes nas ruas.

Daí vem o médico Samuel Finnix, em uma interpretação brilhante de Michael Keaton. Ele faz de tudo em uma clínica geral de uma cidade pacata, com uma mina de carvão que emprega os munícipes. O doutor passa a receitar o OxyContin aos pacientes, acreditando no discurso “menos de um 1%”. As doses começam pequenas, de 10mg, e logo dobram, dobram. E a Purdue Pharma não para de produzir.

Kaitlyn Dever interpreta Betsy, uma viciada em Oxycontin

O vício e as investigações

A visão mais pessoal de um viciado vem da parte de Betsy (Kaitlyn Dever, de Inacreditável), uma jovem trabalhadora da mina de carvão que experimenta OxyContin após machucar as costas. Em questão de dias, ela fica viciada no remédio e se comporta como uma pessoa presa ao crack ou qualquer outra droga ilícita. Penhora joias da mãe e não mede esforços para conseguir uma pílula a mais.

Após o lançamento do OxyContin, houve uma aumento de furtos e crimes justamente nas regiões em que estavam os vendedores da Purdue Pharma. A agente Bridget Meyer (Rosario Dawson), do DEA, o departamento antidrogas americano, se dedica a esse caso. Porém, ela encontra resistência dos superiores para implementar qualquer ação mais forte e incisiva. Tudo porque se trata de um medicamento legal, aprovado. O problema estaria com quem usa…

Uma dupla de procuradores federais acredita que não. A Purdue Pharma fez tudo de forma deliberada, ciente de todos os problemas do medicamento, e mesmo assim seguiu adiante, de alguma forma conseguindo anuência de órgãos fiscalizadores. Rick Mountcastle (Peter Sarsgaard) e Randy Ramseyer (John Hoogenakker) não vão descansar até conseguir montar um caso com provas contra a empresa farmacêutica.

Como observado, de fato são muitas histórias paralelas em Dopesick. Apesar disso, a minissérie é imperdível, vital para entender a mente perversa de um grupo de pessoas más e gananciosas que, sob o pretexto de fazer um bem à humanidade, acabou com a vida de muita gente.

Veja o trailer, legendado, de Dopesick:


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