Crítica | The Walking Dead – 9ª temporada (Mid-Season)

Publicado em 01/12/2018 21:57
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A nona temporada de The Walking Dead trouxe uma série de mudanças. Com a substituição de Scott M. Gimple para a entrada de Angela Kang, o seriado somente se inovou. Apesar de termos apenas meia temporada para analisar, é fato de que a trama não se mostrava tão interessante há tempos. Trazendo novos personagens e paradigmas, o futuro é novamente incerto ao ponto de conseguir surpreender os fãs sem forçar a barra.

Com o final da guerra contra os Salvadores, que ajudou a continuar afundando a audiência do programa, The Walking Dead precisava trazer de volta o seu público. A primeira temporada era de toda novidade, e a segunda trouxe discussões interessantes com uma mudança radical de trama. Já na terceira, somos introduzidos pela primeira ao conflito entre grupos sedentários nesse novo mundo. Com o final do confronto com o Governador, a série novamente mudou seus rumos. As duas temporadas de Negan erraram ao apostar em uma fórmula usada anteriormente. Não só a trama de guerra entre comunidades era parecida. O vilão sofria da mesma repetição. Além disso, a morte de Glenn, um favorito dos fãs, não ajudou a audiência.

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Como Angela Kang pode ter salvo The Walking Dead ao tirar Andrew Lincoln

Dessa forma, se a nona temporada tem um mérito, é a renovação implantada. Ao mesmo tempo, esta não deixou de respeitar a história da série. Isso inclui usar de artimanhas antes usadas para trazer o novo de forma surpreendente. O salto temporal que inicia a temporada dita, de maneira dedutiva, que é o chão para que floresça a temporada. Assim, quando temos outro salto temporal, ainda maior, a surpresa de fato é impactante. Mais do que isso, não é à toa. Como nada da trama foi até agora nesse novo semestre. Dentro das últimas temporadas comandadas por Gimple, a trama se enrola e fica empacada durante diversos episódios. O que Kang trouxe foram diversos acontecimentos de grande impacto.

Claro que, com os saltos temporais, quase nenhuma cena é desperdiçada. Isso acontece porque cada diálogo se torna importante para entendermos não só o que se passou durante esse tempo ausente, mas como o que está acontecendo agora. Isso entra também para a parte cenográfica, já que com o sedentarismo estabelecido, a retomada de antigas tecnologias e costumes se desenvolvem. Essa nova ideia de mundo, bem explorada nos quatro primeiros episódios, serve para ditar o tom das relações entre as comunidades e entre as personagens.

Com o terreno estabelecido, Kang traz a maior mudança já vista em todas as temporadas da série: a saída de Rick Grimes. Até então o protagonista, a saída de Grimes foi anunciada antes de acontecer. Porém, o que poderia ser um tiro no pé, mostrou  a inteligência da nova gestão. A série conseguiu surpreender mais uma vez, e de uma maneira boa, diferente das últimas tentativas da sétima e oitava temporada. O universo de The Walking Dead ganhou uma perspectiva de expansão formidável. Da mesma maneira, os personagens secundários ganham espaço. Não de protagonismo, mas como um conjunto maior do que o indivíduo.

Qual o futuro de Maggie e Lauren Cohan em The Walking Dead?

Um paralelo que pode se traçar é com a primeira temporada de Game Of Thrones. Ao se livrar do aparente protagonista em seu season finale, a série mostrou a força de seu universo e o carisma de seus personagens ainda secundário. Não obstante, uma comparação melhor talvez fosse feita com a saída de Steve Carell de The Office. O grupo teve a chance de brilhar, sem fingir que o passado não existia. Ao mesmo tempo, provando que não dependia mais dele.

O único aspecto negativo da saída da personagem de Andrew Lincoln é o aparente descaso com a Maggie de Lauren Cohan. Apesar de um futuro ainda não decidido e que pode se encaminhar de diversas formas ainda, Maggie simplesmente sumiu da série. Em meio aos boatos de que Cohan estava insatisfeita com o reconhecimento de seu trabalho, ao menos financeiramente. Assim, a falta de atenção dada para a saída de sua personagem soa tanto como um desrespeito à atriz, quanto à personagem e aos fãs.

Dado o novo salto temporal, a série mostra de fato o seu potencial. The Walking Dead renovou-se de uma forma brilhante. A chegada de novos personagens só tem a acrescentar a série. O salto também permite uma mudança brusca em alguns aspectos de velhas personagens. Daryl, Carol e Michonne, por exemplo, mostram uma interessante nova abordagem. Ainda, novas relações puderam aparecer sem serem, de fato, construídas. Nisso, a dinâmica entre as personagens só apresentam melhoras.

Se a trama dos Sussurradores vai dar conta do recado, temos que esperar a outra metade da temporada para descobrir. Contudo, sua entrada trouxe uma ameaça nova para a série como a muito não se via. Se a audiência da série continua caindo, há de se explorar quais poderão ser as causas. A qualidade, tanto da produção quanto da trama, não pode mais ser usada como justificativa.

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