Crítica | The Walking Dead – 9ª temporada

Publicado em 04/04/2019 18:33
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A 9ª temporada de The Walking Dead chegou após um queda relevante e contínua de audiência. Por coincidência ou não, em um arco que introduziu o vilão Negan de Jeffrey Dean Morgan e matou uma das personagens favoritas dos fãs, o Glenn de Steven Yeun. Apesar de Negan também ter uma grande popularidade, sua guerra contra os sobreviventes liderados pelo Rick Grimes de Andrew Lincoln durante as temporadas sete e oito não ajudou a audiência da série da AMC.

Prova disso foi a mudança que ocorreu nos bastidores da série. Afinal, o showrunner Scott M. Gimple, que vinha cuidando da série desde a quarta temporada, foi supervisionar a franquia como um todo. Assim, abriu espaço para Angela Kang fazer uma mudança drástica de paradigma na 9ª temporada do programa. Dessa forma, a mudança foi sentida pelo público logo de cara, com sua nova abertura. Mas as modificações passaram longe de ficar por aí.

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Portanto, entendendo verdadeiramente a necessidade de transformações pela primeira vez em anos, o 9º ano do seriado mostrou coragem para trabalhar o até então impensável para reconquistar os fãs. Ao passo que o material promocional da 8ª temporada apontava um guerra entre Negan e Rick que pedia para você escolher um lado, nenhum fã jamais imaginou que existia uma chance verdadeira de se escolher o lado dos Salvadores para torcer por uma real vitória de Negan.

Contudo, o anúncio de
que Andrew Lincoln, e consequentemente Rick Grimes, deixaria a série,
ajudou a mudar a perspectiva da coisa. Não só pela saída do até
então sólido e único protagonista durante oito anos de programa.
Mas também porque a sua ausência, somada aos saltos temporais
propostos nessa temporada, conseguiram finalmente trazer um novo
panorama ao show.

A série conseguiu
trazer um bom equilíbrio, talvez não episódico, entre as suas
personagens mais antigas e recém-chegadas. Mesmo as novas adições
tiveram seus momentos de maior destaque ou participação em algum
arco, o que ajudou a construir muito bem esse novo grupo proposto. No
final das contas, os acontecimentos se sobressaíram às personagens.
Por exemplo, momentos vividos pelo Henry de Matt Lintz na série
pertenciam a Carl Grimes nos quadrinhos. Então, a saída de Chandler
Riggs não afetou de fato o andar da história. O mesmo pode ser
observado em uma cena em que a Alpha de Samantha Morton revela seu
“poder de fogo” ao Daryl Dixon de Norman Reedus, quando a cena
originalmente mostraria Rick.

Pelo contrário, deu
uma dinâmica diferente para o universo, fazendo com que o público
dos quadrinhos possa também se surpreender. Contudo, um futuro onde
exista uma separação total da caminhada da série e das HQs parece
distante. A última cena da temporada parece ter deixado isso bem
claro, com o Eugene Porter de Josh McDermitt recebendo sinais de
rádio. Com esse momento em mente, fica claro também como a série
trouxe uma temporada mais concisa, sem momentos episódicos e com
consequências ao atos dos sobreviventes.

Assim, os fãs que
esperavam uma mudança na série devem ficar satisfeitos com essa
nova temporada. Com uma 10ª temporada já confirmada, os números
decrescentes de audiência parecem não afetar a vontade da AMC de
manter a franquia. Além disso, planos de expansão desse universo
foram anunciados também. Então, é difícil de imaginar que a
próxima temporada possa ser a última. Dessa forma, talvez o hiato
até a próxima estreia possa ser o suficiente para que os fãs
retornem a consumir a série, que vem ganhando melhores críticas a
cada episódio.

Vale uma pequena
comparação com o Game of Thrones da HBO. Os próprios produtores a
fizeram para propagandear o seu penúltimo episódio, ao dizer que
ele seria análogo ao Casamento Vermelho. Contudo, o que vale mesmo
comparação é estrutural. Seguindo a lógica aplicada à narrativa
de Westeros, o penúltimo episódio ficou com os grandes
acontecimentos. Assim, o season finale ficou com a missão de arrumar
o tabuleiro lidando com as consequências.

Em resumo, renovando totalmente sua dinâmica, a 9ª temporada de The Walking Dead é uma das melhores da seérie, e traz o frescor necessário para uma série já tão longa que pretende durar ainda muito mais.

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