Castle Rock está tentando redimir Annie Wilkes?

Publicado em 14/11/2019 13:09
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Certamente, as obras de Stephen King produziram diversos vilões icônicos. Mas poucos são tão perturbados e danificados quanto Annie Wilkes, a fã obsessiva que mantém o autor Paul Sheldon como refém no romance de 1987, Misery – Louca Obssessão. Pode-se argumentar que vilões como Pennywise ou Randall Flagg são muito piores quando contarmos os números absurdamente altos de cádavers deixados.

Contudo, Annie opera em um nível de horror em escala micro. Suas transgressões na página estão além da redenção. Ainda assim, Castle Rock, do Hulu, parece estar dando para Annie Wilkes um possível caminho para a redenção. O que nos deixa a pergunta: uma versão atualizada de uma personagem pode redemir os pecados de sua versão anterior?

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Misery

Esta pergunta merece algum contexto. Annie Wilkes, como está escrita no material original, é o pior tipo de mentirosa. Ela reside não apenas na realidade que cria para si e para as pessoas ao seu redor, mas se esconde por trás de um artifício de coloquialismos peculiares e da intenção maternal de desarmar as pessoas para que comprem nessa narrativa.

No livro, ela usa sua posição para guiar Paul pelo caminho do vício e da lealdade, que lentamente o deixa louco. O relacionamento deles não é tanto um caso de Síndrome de Estocolmo; é de alguma forma ainda mais nefasto. Com o tempo, Annie se torna o terrível centro do mundo de Paul; ela se torna seu deus, o que eventualmente o deixa mentalmente, emocionalmente e fisicamente marcado.

Se o tratamento dela com Paul Sheldon não é suficiente para ilustrar o fato de Annie Wilkes ser uma personagem irrecuperável, ela também passou parte do tempo como enfermeira registrada cometendo infanticídio. E, é claro, seria negligente em permitir que o pobre xerife local que Annie matou não fosse mencionado. Pode-se dizer que este foi o maior de seus assassinatos. Ou, talvez, o mais repulsivo.

Castle Rock

A versão da personagem em Castle Rock (interpretada por Lizzy Caplan) não é de forma alguma um anjo. Mas em comparação com a contraparte de seu livro, ela merece um desconto. A Annie de Castle Rock certamente tem sangue nas mãos. Ela acidentalmente matou seu próprio pai, esfaqueou Rita (sua futura madrasta), sequestrou Joy (sua irmãzinha) e, quando ela finalmente chegou à cidade titular do programa, depois de ficar presa por mais de uma década, ela assassinou Ace Merrill com uma colher de sorvete.

No episódio The Mother, Annie finalmente enfrenta as conseqüências de suas ações quando Rita a derruba e obriga Annie a falar sobre a verdadeira linhagem de Joy. Não é preciso dizer que as coisas não correram bem. Mas seria uma história de Stephen King se fosse diferente?

Rita, como uma mulher que confiava em alguém apenas para que eles tirassem tudo dela, está em conflito sobre como lidar com a situação. Ela apontou uma arma carregada em Annie na floresta; mas hesitou em puxar o gatilho. Quando elas tinham um relacionamento de mentora e pupila, Rita amava Annie como se ela fosse da família. E quando elas se tornaram de fato uma família, esse amor não mudou, apesar de trazer alterações. Esses sentimentos voltam à tona e Rita não consegue atirar em Annie.

Claro, quando Joy droga Rita, a arma dispara… Direto no abdômen de quem a segurava. Rita cai, deixando Annie horrorizada e cheia de culpa. Assim que as autoridades aparecem, Annie se entrega e pede ajuda, o que ostensivamente encerra a era de fuga, uso de drogas e mudança de identidade para Wilkes. E, embora suas transgressões não sejam tão horríveis quanto no livro, Annie deveria saber, assim como qualquer outra pessoa, que neste mundo não há fugas fáceis.

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