Capitão Metropolis: saiba quem é o vigilante que reuniu os heróis de Watchmen

Publicado em 27/11/2019 17:28
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

O sexto episódio de Watchmen, This Extraordinary Being, se concentra principalmente em Will Reeves em sua jornada para se tornar o Justiça Encapuzada e sua busca para acabar com a Ku Klux Klan e seus planos de supremacia branca. O episódio da HBO começa em 1938 e se estende por aproximadamente a próxima década da vida de Reeves, cobrindo momentos importantes de sua carreira de vigilante. Mas em um momento surpreendente, ele também apresenta outra personagem do livro e membro dos Minutemen: Nelson Gardner, também conhecido como Capitão Metropolis.

Quem é Capitão Metropolis?

Como aconteceu com as outras personagens trazidas da icônica graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons, como Laurie Blake ou Adrian Veidt, o Nelson Gardner que encontramos na HBO está muito de acordo com a personagem que vimos nas HQs. Gardner aparece apenas em algumas páginas dos quadrinhos e a maior parte do que sabemos sobre ele vem da autobiografia de Hollis Mason, o primeiro Coruja, que é apresentada como material suplementar entre as edições de Watchmen.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Informações adicionais sobre o Capitão Metropolis podem ser encontradas nos quadrinhos prequel Antes de Watchmen: Minutemen, de Darwyn Cooke, e dois materiais suplementares de Watchmen para um jogo de RPG, DC Heroes, dos anos 80, que apresenta as únicas informações adicionais sobre o universo de Watchmen já aprovadas por Alan Moore. Contudo, muitos materiais de RPG da época colocam Rolf Muller como Justiça Encapuzada. Então não é certo o quanto podemos levar como cânone na série da HBO.

De acordo com um desses materiais suplementares, Nelson Gardner, “era uma criança adoentada que muitas vezes se via alvo de piadas de outras crianças”. No entanto, ele ficou saudável o suficiente para se juntar ao Corpo de Fuzileiros Navais dos Estado Unidos, onde alcançou o posto de Coronel. Como a maioria dos outros heróis do universo Watchmen, Gardner se tornou um aventureiro fantasiado depois de ler sobre Justiça Encapuzada nos jornais, e ele “adotou táticas, técnicas e organização militar em sua guerra contra o crime” como Capitão Metropolis.

Os Minutemen

O Capitão Metropolis foi de fato a força motriz por trás da formação dos Minutemen em 1939 (junto com a Espectral original, Sally Jupiter), e ele teve um longo relacionamento com Justiça Encapuzada. E, como vemos no programa, Gardner também teve várias visões reacionárias, cujas sementes estavam presentes nas HQs:

“O Capitão Metropolis registrou declarações sobre negros e hispânicos americanos que eram vistos como preconceitos raciais e inflamatórios, acusações de que é difícil argumentar ou negar”, recordou Mason em Sob o Capuz, seu livro nos quadrinhos. Isso certamente está de acordo com o que Gardner diz a Will Reeves no telefone sobre os “residentes do Harlem”.

Gardner foi reativado pelo exército após o bombardeio de Pearl Harbor, e serviu durante a Segunda Guerra Mundial em sua identidade civil, mantendo-o ocupado demais para continuar seus trabalhos como vigilante. Segundo as HQs, a relação sexual entre Capitão Metropolis e Justiça Encapuzada continuou até pelo menos 1948. Mas segundo a HBO, sabemos que continuaram até 1955.

Os Minutemen se dissolveram em 1949, e o Capitão Metropolis foi liberado como vigilante pelo Comitê de Atividades Antiamericanas de Joseph McCarthy, em 1954, no mesmo ano em que Justiça Encapuzada se recusou a desmascarar e revelar sua identidade secreta perante o HUAC (mesmo comitê citado anteriormente). Existem alguns outros detalhes sobre a carreira do Capitão Metrópolis, revelados em Antes de Watchmen: Minutemen. Mas, com base nas outras revelações da série, elas foram desconsideradas.

Crimebusters

Em 1966, em meio a uma crise de meia-idade, Gardner tentou montar uma segunda equipe, os Crimebusters, recrutando a segunda geração de vigilantes: Rorschach, o Coruja de Dan Dreiberg, a Espectral de Laurie Juspeczyk, Doutor Manhattan e Comediante. As visões reacionárias de Gardner foram manifestas nos “males” que ele propôs para o novo combate em equipe, entre eles “promiscuidade”, “drogas”, “demonstrações anti-guerra” e “inquietação negra”.

No entanto, o grupo nunca se formou devido às apreensões de toda a equipe e a desaprovação pública do Comediante. Em suma, como vemos na HBO, os Minutemen e os Crimebuster parecem em grande parte motivados por uma sede de publicidade, mais do que qualquer outra coisa. Ainda assim, Gardner permaneceu ativo como Capitão Metropolis até a década de 1970, antes de morrer em um acidente de carro em 9 de agosto de 1974. O acidente o decapitou e, curiosamente, sua cabeça nunca foi encontrada.

RPG de Watchmen

Nos RPGs baseados em Watchmen, as coisas ficam mais interessantes. Capitão Metropolis é a força motriz por trás de uma das duas aventuras jogo de mesa. Especificamente, a detalhada em Who Watch the Watchmen?, de Dan Greenberg. Situado em 1966, logo após a primeira (e desastrosa) reunião dos Crimebusters, Gardner elabora um plano para reunir os heróis, orquestrando os sequestros de várias pessoas próximas a eles.

Essa aventura foi preparada com a aprovação de Alan Moore (quando ele ainda aprovava as coisas). Por isso, fica claro que o Capitão Metropolis sempre foi destinado a ser aquele que tomará ações questionáveis para satisfazer seu próprio ego , independentemente do custo.

Série da HBO

Os eventos de This Extraordinary Being ocorrem ao longo de quase uma década, começando em 1938 e terminando entre 1947 e 48. Sabemos que Justiça Encapuzada desapareceu da vida pública por volta de 1955 e Will Reeves se aposentou da força policial na mesma época. Em 1975, segundo o Peteypedia, um testamento de Nelson Gardner deixou tudo para Reeves. O testamento teria sido escrito em 1971.

Talvez os futuros episódios de Watchmen explorem ainda mais a história de Reeves, o que também pode nos permitir aprender mais sobre o Capitão Metropolis. Mas, se não, esse episódio foi uma excelente maneira de dar para uma personagem relativamente menor nas HQs algum tempo em destaque, de uma maneira que seja fiel à sua caracterização na graphic novel.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio