Ataque racista que abre Watchmen aconteceu de verdade e tentaram manter em segredo

Publicado em 28/10/2019 15:58
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Watchmen, da HBO, abriu da maneira mais inesperada. Fomos levados de volta a Tulsa, Oklahoma, em 1921, onde uma cidade de residentes afro-americanos é assolada por um ataque violento. Como mostra a sequência, o distrito de Greenwood, em Tulsa, é cercado por um grande tumulto racial, no qual homens brancos (vários deles com roupas da Ku Klux Klan) são vistos matando moradores negros nas ruas.

O foco da sequência é um garotinho que é contrabandeado para fora da cidade quando seus pais o colocam na traseira de um caminhão de entrega. Esse caminhão evita, por pouco, um bombardeio maciço que deixa Greenwood em chamas.

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É uma violenta e emocionante maneirar de começar a série, preparando o cenário para o exame das relações raciais do programa. Mas se você pensou que isso foi apenas uma fantasia para a versão fictícia dos Estados Unidos de Watchmen, você estava muito errado. Em sua sequência de abertura, Watchmen recria o infame Massacre de Greenwood, que é uma parte muito real da história estadunidense.

O Massacre de Greenwood

A menos que você seja um especialista dedicado na História dos Estados Unidos ou da comunidade afro-americana, provavelmente nunca ouviu falar do Massacre de Greenwood, também conhecido como Massacre de Black Wall Street. E essa é provavelmente a razão pela qual Watchmen quer dar uma atenção para ele.

O massacre ocorreu entre 31 de maio e 1º de junho de 1921, no distrito de Greenwood, em Tulsa, que era a comunidade negra mais rica dos EUA. Assim, o local foi apelidado de Black Wall Street (Wall Street Negra). O Massacre de Greenwood é apontado como o pior ataque de violência racial na história estadunidense. O que apenas destaca ainda mais o ponto que Watchmen levanta sobre essa história sombria estar enterrada e esquecida.

Assim como o programa mostra, supremacistas brancos desceram sobre Greenwood e mataram homens, mulheres e crianças nas ruas, queimando e saqueando lojas e casas, aniquilando o distrito de Black Wall Street. O ataque deixou 10.000 negros sem teto, US$ 1,5 milhão em danos à propriedade na área e perdas de US $ 750 mil em bens pessoais (ou cerca de US$ 32 milhões atualmente).

Além disso, 6.000 negros foram presos ou detidos, enquanto 800 pessoas tiveram que ser internadas no hospital, e entre 100 e 300 foram contados como mortos durante o ataque.

Houve um conflito menor antes do ataque

Um engraxate adolescente negro que trabalhava no famoso edifício Drexel de Tulsa foi acusado de agredir uma adolescente branca que trabalhava como operador de elevador no local. O garoto foi preso, e rumores de linchamento irritaram a comunidade negra, que era economicamente e politicamente forte.

Dessa forma, eles apareceram no tribunal em protesto. O conflito resultante deixou dez brancos e dois negros mortos. Isso levantou a ira da maior população branca em Black Wall Street.

O momento climático de Watchmen em sua sequência de abertura também é lamentavelmente preciso, pois testemunhas relataram que os moradores brancos usavam aviões lançados de fora de Tulsa para abater negros que fugiam dos tumultos e também lançavam bombas em prédios, provocando um incêndio que durou dias pela cidade.

Mantido em segredo

Contudo a coisa realmente insidiosa sobre o Massacre de Greenwood não é nem que ele, lamentavelmente, ocorreu. Mas sim como tem sido encoberto, desde então. Como dito anterioremente, uma boa parte dos telespectadores de Watchmen provavelmente nem sabiam que eles estavam testemunhando uma dramática encenação do pior exemplo de terrorismo racialmente motivado dos EUA.

O Massacre de Greenwood foi retirado dos registros de história locais, estaduais e nacionais. A tal ponto que muitos dos que estavam vivos na época cresceram sem nem mesmo saber que isso ocorreu. Foi somente através de um estudo focado que o evento histórico foi mantido na memória e, em 1996 (75 anos depois), o Massacre de Greenwood finalmente recebeu uma investigação formal do legislador estadual; um estudo bipartidário que concluiu em um relatório de 2001 que as autoridades da cidade de Tulsa conspirara com a multidão branca para prejudicar os cidadãos negros.

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