Watchmen (Fonte: Reprodução)
Watchmen (Fonte: Reprodução)

Damon Lindelof está trazendo a graphic novel Watchmen para HBO. A série, que funciona como continuação, mostrou neste domingo (17) que sabe exatamente o que está fazendo, ao trazer uma adaptação no tom exato dos quadrinhos de Alan Moore e Dave Gibbons.

Trabalhar em cima de Watchmen é uma tarefa árdua. Moore abomina qualquer tipo de adaptação do seu trabalho, o que por si só já deve desestimular o mais empolgado e bem intencionado dos showrunners. Mas isso não impediu Lindelof, que conta com Gibbons na produção, em trazer o universo de Watchmen para a HBO. Mais do que isso, trazer uma espécie de adaptação que atualiza o que foi apresentado na mídia original.

Primeiramente, Lindelof deixou de lado o ultrapassado conceito de Guerra Fria, que imperava na época e, portanto, foi muito bem utilizado, e o substituiu para algo bastante atual: a Supremacia Branca. Da mesma forma que a graphic novel, a série traz todo uma contextualização sócio-política-econômica ao mesmo tempo que critica super-heróis e imagina um mundo aonde vigilantes mascarados conseguiram existir de forma plausível.

Mas, mais do que isso, a série conseguiu trazer Os Contos do Cargueiro Negro para as telas, de uma forma adaptação e não literal, mas que funciona tão bem quanto o meta-quadrinho funciona nas HQs icônicas.

Os Contos do Cargueiro Negro

Durante a graphic novel, nós acompanhamos também uma HQ que está sendo lida por um cidadão de Nova York, intitulada Os Contos do Cargueiro Negro. Enquanto ela serve como um comentário do que estamos vendo na história principal, ela nada tem a ver com a história dos Watchmen diretamente. No entanto, segue o tema funcionando como meta-comentários.

Certamente, os fãs que assistiram ao show neste domingo (17) devem ter percebido algo familiar. Estamos falando, é claro, de Ozymandias. Seu arco no show funciona da mesma forma que a descrita acima. E se isso não estava claro, Lindelof foi mais longe e deixou bastante explícito.

Nas HQs, Os Contos do Cargueiro Negro contam a história de um náufrago que ficou ilhado do mundo (literalmente). Procurando fugir da ilha, ele faz o que imaginava impensável: junta os corpos de seus ex-companheiros, mortos no naufrágio, para construir uma jangada de cadáveres e, assim, conseguir velejar para fora da ilha.

A história simboliza o plano de Ozymandias, que constrói uma narrativa para solucionar o problema da Guerra Fria e um emergente holocausto nuclear, à custa de 3 milhões de cadáveres em Nova York.

Agora, na série, Ozymandias mergulha ainda mais fundo; Adrian Veidt se encontra fora da Terra, preso, tentando voltar. Para conseguir isso, ele resolve mandar uma mensagem via satélite de sua “ilha” no meio do espaço. Assim, ele junta os cadáveres de seus servos-clones para escrever a mensagem “SAVE ME D” (salve-me D).

Dessa forma, Veidt pode ter, assim como a protagonista de Os Contos do Cargueiro Negro, comprado sua passagem de saída de sua “ilha” com cadáveres.