La Casa de Papel perdeu a magia ou ainda tem bala na agulha?

Série se enrolou com romances chatos, mas criou dois bons vilões para aquecer a trama

Publicado em 2/9/2021
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Drama espanhol que é sensação mundial, La Casa de Papel começa a jornada final na sexta-feira (3), com a estreia do volume um, composto por cinco episódios, da parte cinco. A série perdeu a magia dos anos anteriores ou ainda tem bala na agulha para encerrar a história com chave de ouro (com o perdão do trocadilho)?

Desde quando a Netflix comprou La Casa de Papel, criando a segunda temporada que se passa no assalto ao Banco da Espanha, a narrativa da trama mudou bastante em comparação aos capítulos anteriores. 

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Como ponto negativo, houve uma encheção de linguiça caprichada nas partes três e quatro, principalmente em relação aos casais da série. Por outro lado, foram inseridos dois vilões realmente bons, que tiraram da zona de conforto o Professor (Álvaro Morte) e a trupe dele.

La Casa de Papel, máquina de fazer dinheiro

Antes de mais nada, é perfeitamente compreensível entender a enrolação de La Casa de Papel, que se aproxima do fim com a sensação de ter uma temporada a mais do que o ideal. A Netflix adotou a estratégia de esticar a trama ao máximo para gerar mais burburinho, ficar mais em evidência na mídia, quase esgotando o que esse baita sucesso tem a oferecer.

Dividir a parte cinco em duas é um dos truques, copiado da TV paga americana, aliás. O canal AMC com Mad Men (2007-2015), assim como a HBO com The Sopranos (1999-2007), fracionaram os episódios derradeiros dessas séries em dois pedaços. Mais tempo no ar é igual a mais dinheiro no bolso.

Houve também a apelação do famigerado “morre ou não morre?”. A coitada da queridíssima Nairóbi (Alba Flores) flertou com o além-mundo durante episódios a fio, uma angústia desnecessária em uma construção de roteiro protocolar. Porém, dentro desse plano de enovelar o drama, não havia outra alternativa.

Najwa Nimri é a detestável vilã Alicia Siera em La Casa de Papel (Reprodução/Netflix)

O potencial

La Casa de Papel teve, na segunda temporada, o grande trunfo de criar vilões que a gangue anarquista não tinha enfrentado ainda. A antagonista maquiavélica especialista no jogo mental foi a Alicia Sierra (Najwa Nimri). O inimigo dos Mascarados de Dalí, que usou a força para tocar o terror, foi o segurança César Gandía (José Manuel Poga).

A série espanhola tem essas duas peças para movimentar a narrativa na parte final. Fica em aberto se vão triunfar contra o Professor e os súditos. Talvez porventura eles perecerão nas mãos dos bandidos.

O mais interessante a ser observado na despedida de La Casa de Papel é a interação entre Alicia e o Professor. No final da parte quatro, a inspetora conseguiu achar o cabeça da operação criminosa, apontando uma arma para a testa do intelectual.

A irritante grávida viciada em doces está p da vida, com a cabeça a prêmio e procurada pela polícia. Dois caminhos são possíveis para Alicia: bancar a heroína com a captura do Professor ou dar uma de Raquel (Itziar Ituño) e se juntar ao crime contra o sistema, esse mesmo que a quer atrás das grades.

Alicia versus o Professor era um duelo de mágicos, com um tentando impressionar o outro. Enquanto um tirava um coelho da cartola, o outro fazia um pombo aparecer do nada. Como essa interação cansou, quem sabe os dois trabalhando juntos não dão um nó definitivo na polícia e provoquem reviravoltas.

Fora a expectativa do que vai suceder após esse encontro bombástico, fica a dúvida se e como os ladrões vão sair com as pedrinhas de ouro do Banco da Espanha, após mais de 100 horas de assalto, que já virou uma verdadeira guerra. O bando do macacão vermelho tem de ter bala na agulha para enfrentar o que vem pela frente.


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