Crítica: Sensacionalismo de Round 6 esconde remissão de párias

Enquanto empilha cadáveres durante um banho de sangue, a série da Netflix narra histórias de redenção

Publicado em 24/09/2021 08:02
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Execuções sumárias à queima roupa e o banho de sangue da série sul-coreana Round 6 deixam os telespectadores perplexos. O sensacionalismo da atração da Netflix, o segundo programa mais visto na plataforma neste momento, esconde histórias enigmáticas atrás da carnificina. Estão ali pessoas à margem da sociedade que buscam redenção.

Round 6 é uma série que atrai pela excentricidade, mas cativa pelas nuances. O ponto de partida do enredo é bizarro, para dizer o mínimo. Um grupo de 456 pessoas topa participar de um jogo para ganhar uma fortuna exorbitante. 

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Elas estão nessa porque devem a Deus e o mundo. Só que a brincadeira de criança, literalmente, é fatal. Quem perde é eliminado (leia-se: morre).

Por que, então, continuam jogando? Cada pessoa ali na disputa vale 100 milhões de wones (R$ 450 mil). Esse valor entra em um cofre se o participante morrer. Ou seja, quem sobreviver após o final das seis brincadeiras pode embolsar (ou dividir) 45,6 bilhões de wones, quantia que quitaria dívidas e daria uma vida nova a qualquer um.

A trama tem esse aspecto medonho chamativo, que anda lado a lado com as jornadas dos personagens destacados ao longo dos nove episódios. Conhecê-los torna a experiência de assistir a série mais legal. Alguns deles se sobressaem.

Nomes dos personagens de Round 6

Seong Gi-hun (Lee Jung-jae), o jogador número 456

O motorista Seong Gi-hun vive com a mãe em uma situação precária. Viciado em apostas e qualquer tipo de jogatina, ele tem uma filha pequena e não consegue se acertar na vida financeira, profissional, amorosa ou familiar. Como os outros jogadores, ele aceita entrar na brincadeira macabra para tentar limpar o nome na praça.

Com a mãe diabética doente, ameaçada de ter os pés amputados, Gi-hun vive desesperado, pedindo dinheiro emprestado a quem vê pela frente para pagar um tratamento médico à progentiora. Sem ninguém para ajudá-lo, resta arriscar a própria vida pela esperança de um novo recomeço.

O ator Park Hae-soo em Round 6 (Reprodução/Netflix)

Cho Sang-woo (Park Hae-soo), o jogador número 218

Amigo de infância de Gi-hun, Cho Sang-woo foi um menino de ouro, estudioso e dedicado. Entrou com méritos na Universidade Nacional de Seul (UNS) e virou um homem de negócios cheio de pompa, chefe na empresa Joy Investimentos.

A bancarrota dele foi aplicar o capital em coisas erradas, uma atitude que gerou uma bola de neve sem fim. Ele roubou dinheiro de clientes e perdeu tudo. Endividado até o pescoço, teve de penhorar bens de toda a família, até a casa e comércio da mãe. O buraco é tão fundo, deve 650 milhões de wones, que a polícia o procura pelos crimes financeiros que cometeu.

Oh Il-nam (Oh Yeong-su), o jogador número 1

Primeiro inscrito no jogo sinistro, Oh Il-nam é um velhinho simpático, que infelizmente está sozinho no mundão, sem parentes e sem casa –vive de favor com um amigo. Com um tumor no cérebro, ele prefere entrar no jogo, brigando por uma chance de reverter esse cenário tenebroso, do que morrer fora dela.

Não me resta muito tempo de vida mesmo“, desabafou o idoso em uma conversa com Gi-hun. “Quando voltei para cá [vida normal] percebi que tudo o que disseram era verdade. A vida aqui fora é mais sofrida.

Kang Sae-byeok (Jung Ho-yeon), a jogadora 67

A norte-coreana Kang Sae-byeok entrou no jogo para trazer a mãe para o sul, em uma operação cara, ilegal e complexa. Ela foi enganada uma vez por um corretor que pegou o dinheiro e fugiu, sem cumprir o prometido. Sozinha, só com um irmão pequeno que vive em um orfanato na Coreia do Sul, a desertora fará de tudo para que o plano desta vez dê certo.

Abdul Ali (Tripathi Anupam), o jogador número 199

Imigrante em Seul, o paquistanês Abdul Ali sofreu uma injustiça no trabalho. Ele era operário de uma fábrica até perder parte dos dedos da mão esquerda durante o serviço. O patrão não custeou o tratamento e ainda por cima devia seis meses de salário. 

Ali chegou a confrontar o ex-chefe e, em uma ação desesperada, travou uma briga e roubou um envelope cheio de dinheiro. Ele entregou o montante para a mulher voltar ao Paquistão e levar o bebê deles juntos. Ali entrou no jogo para conseguir pagar uma passagem de volta à terra natal.


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