Ex-Big Bang Theory, Mayim Bialik paga um baita mico em Call Me Kat

Comédia disponível no Brasil na HBO Max é tão antiquada que a showrunner foi demitida

Publicado em 26/08/2021 06:01
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Na primeira série após The Big Bang Theory (2007-2019), Mayim Bialik paga um mico daqueles na comédia Call Me Kat, lançada no Brasil pela HBO Max, na semana passada. A atriz que encantou o público como a acanhada Amy Farrah Fowler na série nerd, emplacando quatro indicações ao Emmy, tropeça feio em uma atração datada, constrangedora e nada engraçada.

O mínimo que se pode tirar de bom de Call Me Kat é o esforço de Mayim em fazer com que a atração seja no mínimo divertida. Mas o que a veterana de 45 anos recebeu em mãos foi um produto muito ruim. Como também está no time de produtores executivos, há aí um um pouco de responsabilidade por parte dela.

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Exibida nos Estados Unidos na rede Fox, a comédia sobreviveu ao cancelamento por um milagre. A segunda temporada foi encomendada, porém a showrunner Darlene Hunt, a pessoa responsável pela série, foi demitida. A expectativa é que quem assumir esse cargo consiga dar um verdadeiro banho de loja na produção, deixando viva apenas a premissa, que rende um caldo.

Call Me Kat e a gataria

A comédia britânica Miranda (2009-2015), da rede BBC, serve de inspiração para Call Me Kat. Mayim interpreta Kat Silver, uma solteirona de 39 anos que, após a morte do pai, abandona a profissão de professora de matemática para abrir um restaurante que permite e incentiva a entrada de gatos. 

Tem aí um trocadilho na língua inglesa com a palavra cat (gato, em português) e Kat (cuja pronúncia é a mesma de cat). Uma tradução direta do título da série ficaria Me Chame de Kat –ou Me Chame de Gata.

Logo no primeiro episódio o telespectador se cansa de tantas piadas sobre gatos ou qualquer coisa relacionado aos bichanos, do pelo ao jeito de se comportar. Quem seguir em frente até o final da primeira temporada, composta de 13 capítulos, tem de se preparar que essa dose só aumenta.

Mayim Bialik encara um gato na série Call Me Kat (Divulgação/Fox)

Outro detalhe que sucumbe rapidamente é a quebra da quarta parede, recurso usado na TV quando o personagem olha direto para a câmera e explica algo para o público, falando de maneira direta (House of Cardsfez isso com maestria, por exemplo). 

O problema de Call Me Kat é que tal mecanismo entra em cena com frequência exagerada. Chega a dar vontade de pedir a Kat que cuide dos problemas pessoais e deixe a audiência só assistindo mesmo.

O conflito de Kat é amoroso. A mãe, interpretada por Swoosie Kurtz, pega no pé da filha por causa da solteirice crônica (não poderia faltar o deboche sobre “a mulher sozinha que é dona de um monte de gatos”). Então a protagonista, que sofre de ansiedade social, entra em um triângulo amoroso que dura toda a primeira leva de capítulos.

Para a segunda temporada, Call Me Kat tem de se repaginar, deixar a vibe de sitcom dos anos 1980 de lado e ser mais dinâmica, menos previsível. E, claro, como comédia tem de ser engraçada, algo que essencialmente não rolou. Se passa mais tempo sentindo vergonha do que está na tela do que dando risada. A atriz, escritora e neurocientista Mayim Bialik merece mais.

No quesito audiência, a série foi razoavelmente bem, com média de 4,1 milhões de telespectadores nos Estados Unidos, à frente de outras comédias novatas, como Young Rock (3,8 milhões), e até mesmo de veteranas do nível de The Walking Dead (3,7 milhões).

Confira o trailer da primeira temporada de Call Me Kat:

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