Produtores falam sobre influência da pandemia na 5ª temporada de Sessão de Terapia

Série estreia dia 4 de junho no Globoplay

Publicado em 31/5/2021
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A 5ª temporada de Sessão de Terapia chega dia 4 de junho no Globoplay e o novo ano da produção, além de marcar o reencontro de Rodrigo Santoro e Selton Mello, vai abordar um tema muito atual: A pandemia do Covid-19. Os produtores Jaqueline Vargas e Roberto D’Ávila falaram em entrevista sobre usar a pandemia na temática e os desafios do novo ano. Veja abaixo.

Entrevista com a autora Jaqueline Vargas

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Neste ano atípico, a pandemia foi determinante para escrever a realidade de cada paciente?A pandemia foi motivo de muita reflexão, porque a ideia não era fazer uma temporada calcada na pandemia, mas também não excluir o fato. Não foi determinante para todos os personagens, mas a situação permeou alguns momentos de todos eles. A única personagem que teve sua linha realmente pensada de acordo com pandemia foi a personagem Lídia, por ser justamente uma enfermeira. 

Como funciona seu processo de pesquisa para as histórias abordadas?Conversar muito com pessoas que vivenciam o que procuro representar na tela. Escutar os relatos é sempre muito importante. Procuro exemplos reais, estudos de caso, leio muito. 

Como você cria essa trajetória de autoconhecimento dos personagens que acompanhamos ao longo das sessões? Conta com consultoria de psicólogos / psicoterapeutas?No caso de ‘Sessão’, podemos dizer que o arco construído é mais intimista. Não necessariamente temos grandes gestos, grandes movimentos, é mais sutil, aquele território onde um detalhe pode mudar tudo.  Estamos acompanhando o descascar das camadas de uma pessoa em direção ao que a angustia. É um trabalho de pequenos gestos, cada palavra importa muito, é uma costura do que o personagem revela e do que ele não revela. Temos a trajetória do não dito, que será proferido ali.  Às vezes, a temporada termina quando o paciente começa, de fato, a terapia. O arco dele foi esse. Desde a quarta temporada contamos com a consultoria do psicanalista Ricardo Goldenberg. Nessa quinta, além do Ricardo, também tivemos a consultoria do psicanalista Daniel Kupermann.

Como acha que a série vai impactar o público, especialmente em um ano que vivemos o isolamento social?Penso que a série vai sensibilizar porque o isolamento é algo muito desorganizador, algo que pode gerar uma sensação de clausura e a série toca, mesmo que sutilmente, nesses pequenos detalhes que passaram a fazer parte desse novo status quo. A temporada não deixa de ser um pequeno reflexo do que aconteceu e está acontecendo conosco. Nem todos os pacientes estão lá devido à pandemia, mas esse momento do mundo de alguma forma se apresenta e, mesmo a única paciente que realmente vem com questões mais ligadas a isso, vai perceber que a pandemia foi um disparador de questões que já existiam. Momentos críticos como este podem nos levar a repensar muito a nossa trajetória. Também acredito que de alguma forma não é só o personagem que entra na sala de Caio, o espectador entra junto nesse lugar onde podemos falar, nos emocionar, chorar, assumir fraquezas, medos. Então, num país onde a grande maioria das pessoas não tem acesso a terapia, poder chegar neste lugar mesmo que ficcionalmente, me parece importante. 

O mundo está muito sensibilizado com a pandemia. Qual a principal mensagem de Sessão de Terapia?Saúde mental é saúde. Todos deveriam ter a oportunidade de fazer terapia. Além da pandemia da Covid-19, temos outra pandemia em curso: a de depressão. Acho que a série aponta para a importância da nossa saúde mental e que escutar a si mesmo pode ser revelador.

Entrevista com o produtor Roberto D’Ávila

– Qual foi o principal desafio de produzir Sessão de Terapia durante a pandemia?
O principal desafio foi o criativo, tanto do ponto de vista de concepção das histórias e personagens, como dos processos e da realização. Tivemos que desenhar com muita precisão o funcionamento e a janela de oportunidade para gravar, já que fomos uma das primeiras séries a filmar depois de um longo hiato. Isso nos levou a redesenhar toda a operação e cravar o mês de setembro para iniciar as filmagens, o que nos impôs nosso segundo grande desafio: escrever em tempo recorde!

O Sessão de Terapia tem por métrica trabalhar intensamente com uma sala de roteiros liderada pela nossa autora Jaqueline Vargas por 6 meses. Escrevemos 35 episódios a cada temporada de um texto muito sofisticado, emocional, intenso e sensível.  Nesta temporada tínhamos apenas 3 meses e meio para fazer a mesma tarefa. A nossa paixão pela série e o entendimento de que é um conteúdo muito necessário no momento em que vivemos nos fizeram redesenhar os processos. Passado o momento de adrenalina e agora vendo a série pronta com algum distanciamento, posso dizer que valeu a pena. A temporada está muito poderosa e agregou muito dessa energia da realização e da potência da qual procuramos nos revestir para encarar este desafio.

– Quais foram os grandes aprendizados de produção desta quinta temporada?
Eu diria que mais que aprendizados, tivemos muitas apostas. Por muito tempo debatemos e consideramos o que colocar na tela, como escrever uma série durante a pandemia para exibi-la num momento em que não teríamos como prever o estágio dela e, portanto, como tratar e caracterizar os personagens e as histórias para que o assunto não fosse ignorado, mas ao mesmo tempo não fosse dominante a ponto de corromper a delicadeza e a humanidade que procuramos construir tão belamente no Sessão. Procuramos esse ponto de equilíbrio delicado em que tratamos do assunto quando necessário, mas sob o ponto de vista dos dramas pessoais e do sofrimento específico de cada personagem. 

 – Qual a principal mensagem de Sessão de Terapia?Trabalhamos com as ferramentas daescutae do acolhimento que são imensamente necessárias no mundo de hoje em todos os campos. Temos que gritar menos e ouvir mais… isso sozinho já resolveria muitos dos nossos problemas como coletividade. Se for para separar apenas uma mensagem principal, eu digo que o exercício da escuta é o que mais precisamos num momento em que todos querem falar e se mostrar e, ao mesmo tempo, ninguém está enxergando e nem ouvindo o outro. A série traz essa mensagem de modo delicado, mas muito pungente.

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