Samantha Morton como Alpha em The Walking Dead (Fonte: Divulgação)
Samantha Morton como Alpha em The Walking Dead (Fonte: Divulgação)

A 9ª temporada de The Walking Dead chegou após um queda relevante e contínua de audiência. Por coincidência ou não, em um arco que introduziu o vilão Negan de Jeffrey Dean Morgan e matou uma das personagens favoritas dos fãs, o Glenn de Steven Yeun. Apesar de Negan também ter uma grande popularidade, sua guerra contra os sobreviventes liderados pelo Rick Grimes de Andrew Lincoln durante as temporadas sete e oito não ajudou a audiência da série da AMC.

Prova disso foi a mudança que ocorreu nos bastidores da série. Afinal, o showrunner Scott M. Gimple, que vinha cuidando da série desde a quarta temporada, foi supervisionar a franquia como um todo. Assim, abriu espaço para Angela Kang fazer uma mudança drástica de paradigma na 9ª temporada do programa. Dessa forma, a mudança foi sentida pelo público logo de cara, com sua nova abertura. Mas as modificações passaram longe de ficar por aí.

Portanto, entendendo verdadeiramente a necessidade de transformações pela primeira vez em anos, o 9º ano do seriado mostrou coragem para trabalhar o até então impensável para reconquistar os fãs. Ao passo que o material promocional da 8ª temporada apontava um guerra entre Negan e Rick que pedia para você escolher um lado, nenhum fã jamais imaginou que existia uma chance verdadeira de se escolher o lado dos Salvadores para torcer por uma real vitória de Negan.

Contudo, o anúncio de que Andrew Lincoln, e consequentemente Rick Grimes, deixaria a série, ajudou a mudar a perspectiva da coisa. Não só pela saída do até então sólido e único protagonista durante oito anos de programa. Mas também porque a sua ausência, somada aos saltos temporais propostos nessa temporada, conseguiram finalmente trazer um novo panorama ao show.

A série conseguiu trazer um bom equilíbrio, talvez não episódico, entre as suas personagens mais antigas e recém-chegadas. Mesmo as novas adições tiveram seus momentos de maior destaque ou participação em algum arco, o que ajudou a construir muito bem esse novo grupo proposto. No final das contas, os acontecimentos se sobressaíram às personagens. Por exemplo, momentos vividos pelo Henry de Matt Lintz na série pertenciam a Carl Grimes nos quadrinhos. Então, a saída de Chandler Riggs não afetou de fato o andar da história. O mesmo pode ser observado em uma cena em que a Alpha de Samantha Morton revela seu “poder de fogo” ao Daryl Dixon de Norman Reedus, quando a cena originalmente mostraria Rick.

Pelo contrário, deu uma dinâmica diferente para o universo, fazendo com que o público dos quadrinhos possa também se surpreender. Contudo, um futuro onde exista uma separação total da caminhada da série e das HQs parece distante. A última cena da temporada parece ter deixado isso bem claro, com o Eugene Porter de Josh McDermitt recebendo sinais de rádio. Com esse momento em mente, fica claro também como a série trouxe uma temporada mais concisa, sem momentos episódicos e com consequências ao atos dos sobreviventes.

Assim, os fãs que esperavam uma mudança na série devem ficar satisfeitos com essa nova temporada. Com uma 10ª temporada já confirmada, os números decrescentes de audiência parecem não afetar a vontade da AMC de manter a franquia. Além disso, planos de expansão desse universo foram anunciados também. Então, é difícil de imaginar que a próxima temporada possa ser a última. Dessa forma, talvez o hiato até a próxima estreia possa ser o suficiente para que os fãs retornem a consumir a série, que vem ganhando melhores críticas a cada episódio.

Vale uma pequena comparação com o Game of Thrones da HBO. Os próprios produtores a fizeram para propagandear o seu penúltimo episódio, ao dizer que ele seria análogo ao Casamento Vermelho. Contudo, o que vale mesmo comparação é estrutural. Seguindo a lógica aplicada à narrativa de Westeros, o penúltimo episódio ficou com os grandes acontecimentos. Assim, o season finale ficou com a missão de arrumar o tabuleiro lidando com as consequências.

Em resumo, renovando totalmente sua dinâmica, a 9ª temporada de The Walking Dead é uma das melhores da seérie, e traz o frescor necessário para uma série já tão longa que pretende durar ainda muito mais.