Louis Hofmann como Jonas Kahnwald em Dark (Fonte: Reprodução)
Louis Hofmann como Jonas Kahnwald em Dark (Fonte: Reprodução)

A 2ª temporada de Dark chegou na Netflix. Se os fãs esperavam respostas, devem ficar satisfeitos. Contudo, não sairão sem novas e ainda mais intrigantes perguntas. A série alemã manteve seu clima. Ao mesmo tempo, aceitou seu sucesso internacional e usou disso sem perder a sua essência. Dessa forma, a trilogia encerra sua segunda parte tão bem quanto encerrou sua primeira. Apesar de trazer novos elementos narrativos que podem dividir os fãs.

O sucesso inicial de Dark chegou sem fazer muito alarde. Outrora chamada de “Stranger Things adulto”, o seriado mostra de novo que mesmo com algumas coincidências ou analogias possíveis, é de fato uma obra própria, que não referencia nada especificamente e traz seu próprio brilho para a telinha.

Mais uma vez é de se ressaltar a produção da série. Afinal, esta acerta em tudo sem precisar ser megalomaníaca. Mesmo quando a questão chegar mais próximo do épico, o show procura fazer somente o necessário para continuar sua complexa narrativa. Dessa maneira, tudo flui em prol da narrativa, trazendo sempre o roteiro em primeiro plano, o que no caso de Dark é o ideal. Ao mesmo tempo, nada é deixado de lado, e o espectador abe exatamente onde (ou melhor, quando) está sem precisar ficar procurando por referências menores escondidas pela cenografia. E, novamente, sem precisar explodir, por exemplo, vestimentas exageradas na tela.

Mas se tudo gira em torno do roteiro, este tem de ser impecável. No entanto, não é. Há sim momentos em que a trama parece funcionar somente porque precisa ir pra frente de alguma forma. De fato, nada que atrapalhe a série. Até mesmo porque esses momentos são raríssimos e, por mais que possam incomodar, a velocidade com a qual o roteiro evolui para que possamos continuar fazendo ligações entre passados, presente e futuro é dinâmica o suficiente para que a complexidade da trama se dê sem causar estranhamentos.

A nova temporada traz um belo equilíbrio entre esclarecimento e mistério. A viagem no tempo, mais concentrada em pequenos núcleos no começo do primeiro ano, já ganhava mais caráter de naturalidade mesmo nos episódios finais. Agora, conforme os eventos da segunda temporada vão ganhando corpo, ela se torna quase que corriqueira, o que nem de longe atrapalha a série. Toda uma Widen é praticamente tomada pelo looping proposto, envolvendo cada vez mais personagem de forma que não há sensação de tramas perdidas ou desperdício de tempo com personagens avulsas. Ao passo que as coisas vão ficando mais claras nas mentes dos fãs, tudo ainda fica aberto.

Assim, Dark mostra uma maneira de toda interessante em lidar com o tempo, de um jeito quase único, conseguindo não deixar buracos entre o que acontece no passado e é proposto no futuro. O espectador não saberá em nenhum momento se ele de fato está acompanhando um evento já fechado ou ainda aberto. E esse é o grande trunfo de sua trama.

Vale colocar que a série ficou mais global. Se na primeira temporada nós ouvimos Nena em sua trilha sonora, agora acompanhamos obras mais conhecidas mundialmente. Consequentemente, estadunidenses, como Elvis Presley. Incluindo uma referência rápida de De Volta Para o Futuro. Tudo isso sem mergulhar na cultura pop para se sustentar. Um trabalho minucioso que lhe dá um clima de naturalidade.

O final da temporada não deve passar por ordinário. A expansão do universo segue a lógica da primeira temporada. Assim, enquanto vamos abrindo cada vez mais aos poucos ao longo de seus episódios, seus momentos finais extrapolam de forma que deixaria o mais indiferente dos espectadores ávido por saber mais. Infelizmente, isso se traduz em esperar a terceira e última parte de Dark. E esperar, também, que ela mantenha sua qualidade inquestionável no próximo ano. O que não deve ser fácil.