Disney+ (Fonte: Divulgação)
Disney+ (Fonte: Divulgação)

Eventualmente, a Disney finalmente fechará seu acordo para adquirir os ativos de cinema e TV da 21st Century Fox. O que deve ocorrer no início de 2019. Assim, a empresa terá, entre muitas outras coisas, a propriedade do Hulu. Porém, a Disney também fará o lançamento de seu próprio serviço de streaming no ano que vem. Dessa forma, a companhia terá dois serviços de streaming concorrentes. Mas como a Disney conseguirá colocar a Disney+ no mercado enquanto permite que o Hulu continue a crescer?

O The Wrap conversou com analistas, e eles acreditam que será possível para a Disney manter ambas. Mas também reconhecem que pode haver algumas questões com as empresas envolvidas. A WarnerMedia e a Comcast coletivamente detêm 40% do Hulu. Nenhuma ainda deu alguma declaração sobre o futuro do streaming. Mesmo que as empresas foquem seus grandes conteúdos em outros serviços de streaming, especialistas afirmam que a Hulu deve se beneficiar do acordo.

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“A primeira prioridade da Disney deve ser tornar a Disney+ uma vencedora desde o início”, disse Todd Klein, sócio da firma de capital de risco Revolution Growth. “Qualquer conteúdo que mais se assemelhe à marca Fox e não seja sobrecarregado, vai para o Hulu por enquanto, então o Hulu vai ficar melhor”, disse Klein. A empresa já declarou que a Disney+ deve focar em cinco marcas-chave: Disney, Marvel, Lucasfilm, Pixar e National Geographic. A última, virá com a compra da Fox.

Contudo, o CEO da The Walt Disney Company, Bob Iger, disse que haverá compromisso com o crescimento do Hulu. “Nosso objetivo é usar os recursos de produção de televisão da empresa para abastecer o Hulu com programação muito mais original. Programação original que acreditamos que permitirá ao Hulu competir ainda mais agressivamente no mercado”, disse ele.

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O streaming se tornou a nova corrida do ouro para empresas de mídia. Junto com a Disney e a WarnerMedia, 2019 verá a Apple e o Walmart se unirem a um mercado que está se enchendo rapidamente. Dessa forma, a batalha pelo dinheiro do consumidor só vai ficar mais intensa. Assim, o streaming deve se esforçar cada vez mais para trazer um conteúdo mais atrativo.

“Se as pessoas só assinarem seis serviços, se Hulu e Disney+ forem dois desses seis, isso é uma grande vitória para eles”, disse Alan Wolk, co-fundador e analista da empresa de consultoria de mídia TV[R]EV. Mas Wolk argumenta que a Disney deve se concentrar em expandir o Hulu, que já tem 20 milhões de assinantes, em vez de gastar em um novo serviço. “Se fosse eu, provavelmente colocaria tudo no Hulu”, disse ele.

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A Disney está apostando que o público do Hulu é diferente o suficiente de seu público tradicional. Isso faria com que ambos os serviços de streaming valham a pena. The Handmaid’s Tale, por exemplo, não se encaixa na marca familiar que a Disney cultiva há décadas. Klein diz que possuir 100 por cento de seu próprio serviço de streaming é ótimo para a Disney. Melhor do que possuir 60 por cento do Hulu e compartilhar com um concorrente.

“Manter um serviço de streaming não é fácil. E se eles pudessem ter 100 por cento de propriedade de uma empresa operacional com 20 milhões de assinantes, eles prefeririam muito mais esse caminho”, disse ele. “Sabendo disso, eu ficaria surpreso se a Comcast deixasse ir tão facilmente. Especialmente considerando o quanto eles queriam a Fox e não a conseguiram.”

A Disney e a Comcast se engajaram em várias guerras de lances, primeiro para os ativos da 21st Century Fox, que a Disney venceu, e depois para a empresa européia de TV paga, Sky PLC, que a Comcast acabou ganhando. Mas agora a Comcast, que ainda tem 30% de participação no Hulu, terá que lidar com a Disney. “Tudo o que fizermos com o Hulu será feito com o objetivo de ser fiscalmente responsável perante os outros acionistas, mesmo que sejam acionistas minoritários”, garante Iger.

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Em agosto, Iger sugeriu que a Disney poderia oferecer a Disney+, o Hulu e a ESPN+ por uma tarifa com desconto se os assinantes comprassem os três. Mas a Comcast e a WarnerMedia concordariam com a Disney usando o Hulu para ajudar a canalizar assinaturas para seus outros streamings? Klein argumenta que os dados que a Comcast e a Warner coletam sobre os consumidores Hulu são valiosos o suficiente para que eles permaneçam como acionistas minoritários.

“Se os dados são compartilhados de maneira ampla e a taxa de queima é modesta, a Comcast e a Warner provavelmente se sentirão confortáveis ​​em deixar a Disney criar valor no Hulu, porque cada dólar que a Disney investe os beneficia desproporcionalmente”, disse ele. Além disso, a Comcast ainda não tem seu próprio negócio direto ao consumidor. “Vai ser estranho, eles terão que descobrir”, disse Wolk. “No mundo ideal, a Disney e a Comcast devem tentar se dar bem.”

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No final das contas, Hulu deve ser o destino de franquias que não sabíamos como ficariam após a compra da Fox pela Disney. Deadpool pode ser um bom exemplo para o público. Dessa forma, a Comcast e a Warner devem se beneficiar financeiramente. Ao mesmo tempo, isso pode criar um teto do quanto a Comcast pode crescer a Hulu sem alavancar a própria Disney.

O fato é que, para o público brasileiro, cresce a esperança de que esses streamings possam chegar ao país. Entretanto, essa competição deverá afetar o mercado mesmo que estes não cheguem. A Netflix e a Prime Video deverão se esforçar para continuarem na competição.