Netflix (Fonte: Reprodução)
Netflix (Fonte: Reprodução)

Após ter ganhado os holofotes do Oscar, com suas primeiras vitórias com Roma, de Alfonso Cuarón, a Netflix não poupou esforços para garantir mais indicações e, consequentemente, vitórias, esse ano. Enquanto seu grande trunfo foi O Irlandês, que trouxe para o streaming nomes como Martin Scorsese, Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci, filmes como História de um Casamento, de Noah Baumbauch, com Scarlett Johansson e Adam Driver, e Dois Papas, de Fernando Meirelles, com Anthony Hopkins e Jonathan Pryce, também ajudaram a levar o streaming para outro patamar, conseguindo 24 indicações no evento.

Além disso, ao menos nós, brasileiros, estávamos torcendo para que Democracia em Vertigem rendesse um Oscar para Petra Costa. Contudo, foi o documentário American Factory que deu para o streaming uma de suas duas estatuetas, sendo que a outra foi dada para Laura Dern, por seu papel coadjuvante em História de um Casamento. Batendo seu próprio recorde de indicações e se tornando o estúdio mais indicado desse ano, a Netflix faturou apenas duas vitórias no evento.

Todo esse investimento se justifica?

É verdade que o streaming não divulga com exatidão a maioria de seus números de audiência. Mas se levarmos em consideração, por exemplo, o Tudum Festival, a Netflix tem muito mais popularidade em longas-metragem como Para Todos os Garotos que Já Amei ou Barraca do Beijo. Quando procura popularidade, a efetividade da empresa é melhor do que quando se consagrar em premiações. Ao menos na tela grande.

Mesmo que no Globo de Ouro desse ano, mesmo pegando somente as categorias televisivas, o serviço de streaming acabou levando apenas 1 prêmio em 17 indicações. Mas quando olhamos para um cenário maior, a Netflix teve um grande número de vitórias quando comparadas à suas indicações nas competições televisivas. Na última edição do Emmy, por exemplo, o estúdio venceu em 27 categorias, somente atrás da HBO, com 34. Vale lembrar que a maior vencedora do ano passado não terá sua favorita Game of Thrones para continuar competindo. Mesmo que shows pontuais, como Chernobyl ou Watchmen, devam fazer diferença, a Netflix parece estar emplacando mais hits, e isso deve virar o jogo.

Netflix deve focar mais nas séries?

É claro que a resposta é mais complicada do que um simples “sim” ou “não”. Afinal, o streaming está chegando cada vez mais ao topo das premiações. Se o Oscar 2020 pode ser considerado um “fracasso” para a Netflix, é somente porque ela conquistou o maior número de indicações. Levando em conta que seu primeiro prêmio da Academia saiu somente no ano passado, e agora o estúdio lidera indicações, podemos ver uma vitória.

Pelo seu tamanho, o streaming deve ainda continuar investindo cada vez mais tanto no cinema como na televisão. No entanto, enquanto ela não pode ser dizer uma gigante das telas grandes ainda, na telinha seu reinado está cada vez mais próximo, se já não começou. Esse ano de premiações será decisivo para o streaming. Certamente, a Netflix sai na frente na “guerra dos streamings”. Mas ela ainda não superou a HBO como grife.

Portanto, a Netflix não deve diminuir seus esforços para o cinema. Afinal, eles estão dando resultado. Contudo, seus esforços maiores deveriam ser nas premiações televisivas. Certamente, o estúdio cresceu muito nos últimos anos. Mas definitivamente não é só uma questão de tempo para que ele passa a HBO. A rede de cabo premium continua trazendo de alta qualidade. Além disso, muitos mais serviços de streaming estão chegando para a briga.

A popularidade da Netflix é maior graças às suas séries, com Stranger Things e, recentemente, Sex Education, sendo bons exemplos. Aqui no Brasil, séries latinas como La Casa de Papel e Elite também trazem bastante audiência para o streaming. Parece mais interessante trazer mais favoritos de crítica para a TV, como Olhos que Condenam, já que um primeiro lugar nessa categoria está mais próximo, será difícil de manter e traria mais prestígio para o que realmente traz assinantes para o streaming.