Emilia Clarke como Daenerys Targaryen em Game of Thrones (Fonte: Reprodução)
Emilia Clarke como Daenerys Targaryen em Game of Thrones (Fonte: Reprodução)

“O Rei Jaehaerys disse-me um dia que a loucura e a grandeza eram dois lados da mesma moeda. ‘Sempre que um novo Targaryen nasce’, disse ele, ‘os deuses atiram uma moeda ao ar e o mundo segura a respiração para ver de que lado cairá'”.

Esse é o aviso dado para Daenerys Targaryen por Sor Baristan Selmy. Certamente, alguns fãs não estão gostando do rumo que a Mãe dos Dragões está tomando. Contudo, a narrativa pode ser acusada de diversas coisas, menos de incoerência.

A história de Dany começa de forma ímpar em Game of Thrones. Talvez por isso, seja difícil ter o mesmo julgamento com ela do que com outras personagens. Sua jornada começa em Essos, continente vizinho de Westeros. Por não ser tão bem explorado quanto os Sete Reinos, a impressão que fica é que Daenerys é “do bem”. Mas isso não é aplicável com as personagens de George RR Martin.

O Bem e o Mal

Ao comentar sobre a ausência de maniqueísmo em As Crônicas de Gelo e Fogo, Martin deixou bem claro que não acredita que suas personagens bebam de apenas um lado da luta eterna entre o bem e o mal. A personagem escolhida pelo autor para exemplificar a questão foi ninguém menos que o “malvado” Ramsay Bolton.

Outrora um bastardo, dificilmente alguém irá defender alguma atitude de Ramsay. Nos livros, o nortenho consegue transformar Theon Greyjoy em um Fedor muito pior do que na série. No programa da HBO, ainda vemos outras maldades dele, como violentar Sansa e matar seu próprio pai, meio irmão e madrasta. Além de matar Rickon e tantas outras coisas que fizeram de Ramsay uma das personagens mais odiadas de Game of Thrones.

Mas Martin no mostra que, além disso tudo, Ramsay é uma personagem que trata melhor seus animais do que qualquer um em Westeros. O argumento fica fraco quando lembramos que este deixava seu canil passando fome para que eles se alimentassem de suas vítimas. Contudo, é necessário se dizer que tratar bem seus cavalos, em Westeros, é algo a se vangloriar.

De forma alguma isso justificaria qualquer outro ponto de sua personalidade demasiadamente maléfica. O que faz desse ponto de vista interessante, é perceber que mesmo a mais cruel das personagens de Martin pode flertar com a bondade em algum âmbito. E vice-versa.

Nem todos pulam corda com essa linha como faz Jaime Lannister. Entretanto, há poucos e fracos argumentos para se dizer que Cersei Lannister não é a mãe mais dedicada de toda Westeros. E é somente entendendo esse conceito que podemos falar sobre a loucura de Daenerys.

A jornada de Daenerys Targaryen

Quando somos lembrados por Missandei de todo o caminho percorrido por Dany, é fácil ver apenas uma boa moça tentando salvar o mundo. A Quebradora de Correntes, A Não Queimada, Filha da Tormente, são todos títulos que impressionam muito. A Quebradora de Correntes, inclusive, é um dos mais invejáveis. Mas isso diz muito mais sobre ela do que apenas suas conquistas.

Durante suas viagens por Essos, Dany enfrentou muitas coisas. De conseguir o respeito de Khal Drogo até se tornar Rainha de Meeren, sua jornada é uma história de conquistas e derrotas. Para liberar o povo das cidades escravagistas de outros continentes, Dany queimou famílias nobres e outros tantos inocentes que passaram por sua frente. Seu exército de Imaculados, liderados por Verme Cinzento, não foi comprado conforme o combinado. Ela assassinou um vendedor de escravos para conquistar a confiança dos militares. E isso sem pensar duas vezes.

Suas vitórias sempre foram marcadas com fogo e sangue, lema de sua casa. Por termos somente a perspectiva daqueles que se beneficiaram de suas ações, é óbvio que a vemos como uma pessoa forte e bondosa. E ela é de fato forte. Mas sua força não vem só de sua bondade. Para conseguir chegar aonde chegou, muitas de suas ações foram tiranas. Mesmo que suas intenções sejam as melhores.

Não foi somente sua determinação que a fez chegar aonde chegou. Dany teve durante todas as suas vitórias pessoais três dragões para ajudá-la. Assim como é proposto pelo universo de As Crônicas de Gelo e Fogo, a força bruta a impulsionou por seu caminho. Personagens consideravelmente “boas”, “honradas” e “respeitosas” tendem a ficar pelo caminho. O próprio Jon Snow foi assassinado ao baixar sua guarda. E não nos esqueçamos de Ned Stark.