Você (Fonte: Reprodução)
Você (Fonte: Reprodução)

Você chegou, com seu novo lote de 10 episódios, ao catálogo da Netflix quase que como um presente de Natal para os fãs. Lançado no dia 26 de dezembro, o novo ano chega para dar sequência ao enorme gancho deixado pelo season finale da primeira temporada e provar que seu sucesso não tinha sido uma tacada de sorte.

Assim, o programa resolve manter o seu status quo, somente para brincar com ele mais tarde. A série dá um leve salto temporal, que será explicado por meio de flashbacks, para conseguir fazer isso. Dessa forma, não nos dá Joe (Penn Badgley) lidando imediatamente com a aparição de Candance (Ambyr Childers) ao final da primeira temporada. Isso implica na série retomando quase que imediatamente a fórmula que lhe fez conquistar o público no primeiro ano.

Mais uma vez, Você mostra um roteiro simples, com núcleos que vão se colidindo, chegando a flertar com uma complexidade. Mas no geral, a trama dessa temporada permanece simples, com Joe, agora Will, planejando uma nova vida e conhecendo um novo amor, ou melhor, uma nova vítima de seu comportamento tóxico e abusivo. Novamente, seus devaneios são o que fazem a série andar, levando-o a planejar meticulosamente cada passo e ter de improvisar quando algum desleixo o pega de surpres.

No entanto, dessa vez Badgley acaba deixando de entregar em alguns determinados momentos que exigem mais dele. Embora ele consiga mostra-se tão assustador quanto encantador quando é necessário, principalmente os momentos onde sua personagem se mostra surpresa soam um tanto exagerados, e em uma eventual terceira temporada seria interessante ver uma entrega maior do ator, já que muitos desses momentos parecem comodismo.

A adição de Victoria Pedretti não só é interessante por sua personagem, Love, que ao mesmo tempo em que chega para substituir Beck (Elizabeth Lail) traz a sua própria contribuição para a trama, mas também porque a atriz que ganhou o público com A Maldição da Residência Hill, parece estar se encaminhando para ser um dos grandes nomes dentro do streaming. Ótima na série, sua presença ainda deve durar em ambos os shows, que são grandes atrativos da Netflix, mesmo que não façam o barulho de Stranger Things ou La Casa de Papel.

Mas os destaques de atuação dessa temporada certamente ficam para os coadjuvantes Jenna Ortega, ex-Disney, que apesar da pouca idade não pode ser considerada novata na atuação, e James Scully, que talvez seja um dos mais acionados durante a temporada, sempre entregando quando é necessário e definitivamente fazendo um trabalho bastante diferente de suas atuações prévias.

No geral, a série não se destaca muito em quesitos mais técnicos, deixando para que a narração incessante da cabeça de Joe seja novamente o maior atrativo. Não seria errado dizer, a primeiro olhar, que a série apostou aonde já ganhava, sem muita ousadia. No entanto, seu final promete revolucionar um pouco as coisas. Mesmo que uma terceira temporada mostre Joe novamente obcecado por uma nova mulher, veremos muito mais do que somente seu nada saudável jogo de conquista.