Henry Cavill como geralt de Rivia em The Witcher (Fonte: Reprodução)
Henry Cavill como Geralt de Rivia em The Witcher (Fonte: Reprodução)

The Witcher chegou ao catálogo da gigante do streaming Netflix já com pinta de um dos maiores originais da história do serviço de transmissão. Protagonizada pelo astro Henry Cavill, vindo de grandes papéis em grandes franquias cinematográficas, a série aposta no sucesso dos games para beber na mesma fonte, as obras literárias de Andrzej Sapkowski.

A série, que obteve maior sucesso entre os telespectadores do que entre os críticos, consegue sobreviver ao hype. Altamente antecipada após o seu anúncio, ela foi perdendo força durante os meses que a antecederam e, como não poderia deixar de ser, voltou aos holofotes antes do seu lançamento. Sabendo que a expectativa pode ser uma armadilha, essa “esfriada” nos ânimos talvez seja essencial para aqueles que a acharam surpreendente. Afinal, a série vem em um ano em que ótimas temporadas foram lançadas. Mesmo assim, ela alavanca a Netflix para outro patamar.

A produção da série é basicamente impecável, impressionando pela diversidade de locações e as escolhas de figurino que certamente contribuem para a imersão de um universo complexo, dando ao espectador uma compreensão que o faz parecer quase simples, sem torná-lo simplista ou vago. O uso de efeitos visuais e práticos também se destacam, não só por ser uma série “televisiva”, mas por mesclar ambos de uma forma que não fique dissonante.

As atuações da série estão todas em alto nível. Ao menos, as personagens principais conseguem entregar uma belo trabalho. Freya Allan entrega uma ótima Cirilla, enquanto Anya Chalotra se destaca por sua Yennefer. Mas é o carisma de Henry Cavill que ajuda a fazer o show atraente. Seu Geralt de Rivia, acertadamente, é a melhor personagem do programa. Com poucos momentos explosivos espaçados entre uma atuação mais contida, o bruxo deve conquistar os fãs. Há de se dizer que a escolha de sua voz, embora compreensível, pode trazer um leve estranhamento ao espectador, graças ao excesso perceptível de efeitos. Ainda assim, não atrapalha o show.

O ponto alto é a narrativa. Ao mesmo tempo, é ela própria que pode atrapalhar e fazer o espectador mais acomodado desistir de prosseguir pelos episódios. Assim como seu começo na literatura, que foi por contos, The Witcher nos apresenta tramas episódicas com Geralt de Rivia inicialmente, o que faz com que o público vá conhecendo melhor seu universo e se aprofundando em sua complexidade. Ao mesmo tempo, vamos acompanhando Yennefer e Cirilla em uma progressão mais linear, somente para que a histórias se confundam em um determinado momento, revelando períodos temporais diversos e trazendo um espécie de plot twist para o show. Algo próximo do que foi feito em Westworld, da HBO ou no longa Dunkirk, de Christopher Nolan. Contudo, isso pode soar confuso no meio da temporada, fazendo desistentes pelo caminho, já que não se coloca um mistério instigante ao redor disso.

Certamente, The Witcher é um dos projetos mais ambiciosos da Netflix, e se mostra uma das mais fortes temporadas da série. Com a sua qualidade e sua popularidade, tem tudo para se tornar um dos grandes nomes do streaming e sobreviver por um bom tempo.