O Escolhido (Fonte: Reprodução)
O Escolhido (Fonte: Reprodução)

O Escolhido trouxe uma novo lote de episódios para a Netflix, mostrando uma segunda temporada ainda mais ambiciosa do que a primeira. Infelizmente, o curto período de 6 meses entre o lançamento das temporadas significam problemas; tanto para esse ano quanto para os próximos.

A nova temporada da série brasileira acaba por sofrer dos mesmos males que a sua anterior. Ao mesmo tempo, não mostra uma evolução em nenhuma outra área que não seja o seu enredo, ponto forte do show desde o seu início. Ainda assim, seu grande problema parece ficar na sala de roteiristas.

Carolina Munhóz e Raphael Draccon certamente já mostraram que sabem escrever literatura fantástica e, com O Escolhido, mostram isso novamente. Infelizmente, não mostram que conseguem também fazer isso na televisão. O seriado nacional tenta trabalhar em cima de um clima misterioso que, quando trazido para a telinha, perde boa parte de seu charme.

Ainda assim, a história continua interessante. E se a primeira temporada, que pareceu cravar Lúcia, personagem de Paloma Bernardi, como heroína, sem cravar de fato o Escolhido, personagem de Renan Tenca, como o vilão, e ainda brincou nessa área cinzenta com o Enzo de Gutto Szuster e o Damião de Pedro Caetano, a segunda temporada acresce a mitologia do show, trazendo novas personagens que devem bagunçar ainda mais o maniqueísmo da série.

A aparente pressa em entregar essa nova leva de episódios não fez bem ao programa. Parece que o streaming não considerou o show como uma aposta e estava disposto a fazê-lo de qualquer maneira. Com apenas um semestre de diferença entre os lançamentos, não houve tanta diferença entre os dois anos em questão de qualidade. E é de se pensar que um tempo maior seria mais proveitoso para que o programa pudesse absorver melhor as críticas e entregar o que estava faltando.

Do mesmo modo em que outros pontos ficaram estagnados, o mesmo pode se falar sobre a péssima direção, cortesia de uma edição confusa, e das atuações que, apesar de terem sido notavelmente melhores, é de se atribuir ao tempo de permanência dos atores e atrizes que acabam estando mais à vontade em suas personagens.

Se houver uma terceira temporada, como é proposto pelo gancho final da segunda, apesar de ainda não ter sido anunciada oficialmente, é desejável que a Netflix dê tempo para que algumas mudanças pontuais sejam feitas. Assim, a série poderia ser capaz de alcançar o seu verdadeiro potencial que, apesar de conseguir se mostrar no imaginário do espectador, não o traduz totalmente quando é necessário.