Avatar: A Lenda de Aang (Fonte: Reprodução)
Avatar: A Lenda de Aang (Fonte: Reprodução)

Avatar: A Lenda de Aang está fazendo 15 anos nesse mês de fevereiro, com uma versão live-action em produção para estrear na Netflix. Não é por acaso que a série irá ganhar sua segunda versão live-action (um filme controverso, de M. Night Shyamalan, foi lançado em 2010). A animação mudou a direção das animações infantis.

Como acontece com qualquer programa revolucionário, é difícil lembrar dos dias antes de Avatar. Mas até 2005, a tendência geral das animações voltadas para crianças era entretenimento leve com quase nada em segundo plano; nenhum preenchimento de história por trás da aventura principal.

De fato, haviam exceções. Um bom exemplo seria a aclamada Batman: A Série Animada, que frequentemente elevava seu conteúdo acima da média com a qual o público infantil estava acostumado. Mas, na maioria das vezes, antes de Avatar havia uma linha bem traçada entre as animações infantis e as adultas.

Agradando todas as idades

Animações voltadas para adultos não eram uma novidade. Os Simpsons, Futurama e Uma Família da Pesada já haviam provado que existia um público fiel de adultos que gostavam de assistir animações. Mas esses shows atendiam muito mais um público mais maduro. Assim, as animações se vendiam para um público ou para o outro, sem de fato mirar em todas as idades. Somente o Avatar, mestre dos quatro elementos, poderia trazer o equilíbrio para o mundo.

A jogada de mestre de Avatar foi trabalhar em um show que pudesse agradar tanto crianças quanto adultos, de uma forma que, para cada grupo, ele parecesse ter sido pensado individualmente para cada público, mesmo sendo feito para ambos. Temas como responsabilidade, pacifismo, industrialização, tirania e auto-descoberta estiveram presentes em cada episódio da animação, que juntou tudo isso com cenas de ação emocionantes em um mundo fantástico onde qualquer um, independente de sua idade, conseguiria entrar.

Construção de mundo

É fácil não ver o que Avatar fez em um mundo onde isso não é mais novidade; Phineas & Ferb, Hora de Aventura e Steven Universo, todos eles devem seus elementos mais aclamados (e sua possibilidade de existir em grandes canais) ao sucesso de Avatar. Cada um desses shows consegue trazer uma maneira específica de se contar uma história. Mas o que fez de Avatar tão único? Parte do sucesso do show veio de sua rica e detalhada construção de mundo.

A abertura do desenho estabelece habilmente um mundo cheio de história, tensão política, guerra, tradição e magia. Mesmo que Aang comece sua jornada como um garoto que só pensa em divertir e que não está pronto para lidar com a responsabilidade de ser o Avatar, o tom e as temáticas da animação ficaram mais complexas conforme Aang foi crescendo e entendendo seu lugar no mundo. Ainda assim, ele nunca perdeu seu senso de diversão. O garoto mantém seu espírito de querer montar em uma carpa gigante da primeira temporada até a terceira, na qual mexe com as crianças da Nação do Fogo no melhor estilo Footloose: Ritmo Louco.

Diversidade

E não eram só os elementos mágicos que faziam do show um mundo gostoso de se assistir. Mas também a sua dedicação à diversidade que, à época, fugia ao padrão, embora esteja cada vez menos nesse patamar atualmente. Ao trazer uma cultura (cenário, roupas e, principalmente, espiritualidade) influenciada pelo oriente, o show apresentou para adultos e crianças perspectivas com as quais eles poderiam não estar familiarizados.

A mesma dedicação pode ser vista no show quando falamos sobre apresentar personagens femininas emponderadas. Katara começa sua jornada tímida, porém obstinada. Ao final da 1ª temporada ela já se mostra uma mestre capaz que literalmente desafia a estrutura patriarcal da Tribo da Água do Norte. A 2ª temporada ainda vê a introdução de Toph (originalmente pensada pelos criadores como um personagem masculino) e Azula, ambas provando ser algumas das mais perigosas e fortes personagens que o show poderia oferecer.

Além de O Último Mestre do Ar

A animação apresentava um espectro completo de personalidades muito além do escopo limitado da maioria dos desenhos animados infantis da época. Esse mesmo espírito continua em outros aspectos da franquia, fazendo da não-branca Korra a estrela da série animada Avatar: A Lenda de Korra e a bissexual Kyoshi a estrela do primeiro romance, Rise of Kyoshi. Manter uma franquia viva por 15 anos já é bastante difícil. Mas manter um espírito de progressismo que nunca fica datado é um exemplo do quão longe do seu tempo Avatar estava.

Muitos dos criadores envolvidos em Avatar chegaram a abrir caminho para outros programas que promovem a diversidade de seus elencos. O Príncipe Dragão, do showrunner Aaron Ehasz, apresenta estruturas familiares não tradicionais e personagens não-brancos, enquanto o diretor da temporada original, Dave Filoni, criou Star Wars: A Guerra dos Clones e Star Wars Rebels.

Resta saber se o live-action da Netflix conseguirá manter o espírito da franquia.